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Dominique Strauss-Kahn, de 62 anos, pode ter de cumprir até 25 anos de prisão

O ex-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn , declarou-se inocente nesta segunda-feira das acusações de abuso sexual a uma camareira de um hotel em Nova York, em um caso que lhe custou o cargo e a chance de conquistar a presidência da França.

Dominique Strauss-Kahn e esposa, Anne Sinclair, deixam tribunal em Nova York
AFP
Dominique Strauss-Kahn e esposa, Anne Sinclair, deixam tribunal em Nova York
Vestido com um terno escuro, Strauss-Kahn chegou ao tribunal acompanhado da mulher, a jornalista de televisão francesa Anne Sinclair. O casal, de braços dados, passou por um batalhão de jornalistas e por um grupo de funcionários de hotéis que foram prestar apoio à mulher que alega ter sido atacada por Strauss-Kahn.

Strauss-Kahn, de 62 anos, pode ter de cumprir pena de até 25 anos de prisão se condenado por delitos que incluem tentativa de estupro e abuso sexual.

Strauss-Kahn foi perguntado sobre qual declaração ele faria diante das acusações, e afirmou à corte: "Inocente". A próxima audência do caso na Suprema Corte de Nova York, diante do juiz Michael Obus, foi marcada para 18 de julho.

Elogiado por seu papel na condução da crise financeira mundial, entre 2007 e 2009, e as tentativas de manter a dívida externa europeia sob controle, Strauss-Kahn renunciou ao cargo de diretor-gerente poucos dias depois de sua prisão em 14 de maio, na primeira classe de um vôo da Air France, minutos antes de o avião decolar de Nova York a Paris.

Ele é acusado de ter atacado uma imigrante africana de 32 anos, poucas horas antes, quando ela foi limpar sua suíte no luxuoso hotel Sofitel, em Manhattan, aparentemente acreditando que estava vazio.

Strauss-Kahn, que tem quatro filhas, nega as acusações. Seu depoimento nesta segunda-feira será o início do que poderá ser uma longa batalha judicial.

O FMI ainda não nomeou um novo diretor. Entre os candidatos estão a ministra das Finanças da França, Christine Lagarde, e o diretor do Banco Central do México, Agustin Carstens.

Antes da prisão, previa-se que Strauss-Khan deixaria o cargo no FMI por uma outra razão: o interesse em se tornar o candidate dos Socialistas à Presidência da França. Ele era um forte favorito para vencer o presidente Nicolas Sarkozy na eleição do ano que vem.

Em vez disso, Strauss-Kahn passou quatro dias na prisão de Rikers Island, em Nova York, até ser libertado mediante pagamento de fiança de 1 milhão de dólares e depósito de 5 milhões de dólares para permanecer sob prisão domiciliar sob vigilância armada por 24 horas e monitoramento eletrônico.

Ele passou alguns dias em um apartamento em Manhattan, mas agora vive em uma luxuosa residência alugada por sua mulher - a jornalista da TV francesa Anne Sinclair --, no bairro de TriBeCa, em Manhattan. A residência tem uma academia de ginástica e cinema e antes havia sido colocada à venda por quase 14 milhões de dólares.

Um promotor estimou que Strauss-Kahn iria gastar 200 mil dólares por mês com os esquemas de segurança, que cabe a ele custear.

O advogado dele diz que embora seu cliente tenha patrimônio de 2 milhões de dólares, sua mulher - uma rica herdeira - tem "ativos substancialmente bem maiores". Até o momento Sinclair não demonstrou hesitação em usar seus bens para ajudar o marido.

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