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O presidente da Bolívia, Evo Morales, queixou-se durante um ato político no sul do país nesta quinta-feira do não pagamento, por parte do Brasil, de uma dívida de 100 milhões de dólares relativa à compra de gás natural boliviano no ano passado.

"Sei, no entanto, que vão honrar o débito; certamente o embaixador do Brasil está nos ouvindo: o Brasil ainda nos deve 1 bilhão (100 milhões, nota da redação) de dólares do ano passado" da conta do gás, disse Morales.

O presidente boliviano falou sobre o assunto para um auditório composto principalmente de camponeses; segundo Morales, "na semana passada, na última reunião com o companheiro Lula (no Mercosul) ele me disse: vamos pagar".

"Sempre há alguns problemas burocráticos de transferência, afirmou o presidente Lula, mas logo vão nos pagar".

Evo Morales aproveitou para elogiar os benefícios recebidos com a nacionalização dos recursos naturais bolivianos que decretou em maio de 2006, uma vez que a Bolívia chegou a "receber 1,93 bilhão de dólares no ano passado - uma grande diferença, se comparados aos 300 milhões de dólares de 2005", destacou.

"Se somarmos à dívida (do Brasil) de 100 milhões de dólares do ano passado, praticamente em 2007 recebemos 2 bilhões de dólares", explicou.

A Bolívia, a segunda potência da região depois da Venezuela, produz atualmente 40 milhões de metros cúbicos diários de gás, fornecendo ao Brasil e à Argentina.

Morales fez as declarações a pouco mais de uma semana da chegada de Lula à Bolívia para entregar um crédito de 230 milhões de dólares a La Paz para a infra-estrutura rodoviária.

A estrada unirá duas regiões do norte da Bolívia, na fronteira com o Brasil, à capital La Paz.

A verba liberada pelo Brasil permitirá a construção dos trechos Rurrenabaque-Riberalta (508 km) e de metade do chamado 'Corredor do Norte', que inclui os trechos Riberalta-El Choro (75 km), El-Choro-Australia (168 km), Australia-Santa Rosa (169 km) e Santa Rosa-Albuquerque (96 km).

O Corredor do Norte liga os departamentos de Beni e Pando à região de La Paz.

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