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SÃO PAULO - A semana de negociações ministeriais com objetivo de tentar salvar a Rodada Doha começou hoje em Genebra com os esperados confrontos entre países desenvolvidos e emergentes. Embora todos tenham se manifestado favoráveis à obtenção de um acordo para o comércio mundial, permanece o impasse sobre as concessões que ambos os blocos podem fazer para abrir o acesso aos mercados e diminuir o protecionismo.

O comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, disse que a União Européia está disposta a cortar as tarifas no comércio de produtos agrícolas em 60% em média, desde que os países emergentes façam reduções reais em suas tarifas sobre produtos industriais e ampliem o acesso a seus mercados.

A ministra do Comércio da Indonésia, Mari Elka Pangestu, rebateu dizendo que a proposta não é nova - seria apenas um recálculo de ofertas anteriores, cuja média estava em 54% - e colocou nas mãos dos países desenvolvidos a responsabilidade por chegar a um acordo. Ela fala em nome do G33, grupo de países em desenvolvimento. O Brasil também disse que a nova oferta dos europeus é apenas propaganda.

Os emergentes aguardam as propostas que serão feitas pelos Estados Unidos. A representante comercial dos EUA, Susan Schwab, disse hoje saber que seu país tem papel de liderança no âmbito do comércio mundial e fará a contribuição necessária no que concerne a subsídios domésticos que distorcem o comércio.

Ela afirmou, porém, que os subsídios americanos têm sido um alvo conveniente de muitos países que não querem discutir o maior acesso aos seus mercados, sejam com produtos agrícolas, industriais ou serviços. E reiterou que a liberalização do comércio é muito mais importante para o crescimento econômico e o combate à pobreza do que as políticas de subsídios.

Cerca de 30 ministros discursaram hoje e outras delegações falarão amanhã nas reuniões informais. A sessão formal está marcada para sábado, dia 26. O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, abriu os trabalhos conclamando os 152 membros da organização a trabalhar em equipe para conseguir concluir a Rodada Doha.

O maior desafio, lembrou, é chegar a um consenso sobre as condições fundamentais dos acordos, que incluem as fórmulas para o corte de tarifas e subsídios agrícolas e não-agrícolas. O estabelecimento dessas condições, que requer paciência e determinação, permitirá fechar os cronogramas dessas flexibilizações, disse Lamy.

"Não posso imaginar incentivo maior para nossa ação do que as ameaças que a economia global vem sofrendo de diversas fontes, inclusive do aumento dos preços de alimentos e energia e das turbulências nos mercados financeiros", argumentou. Um desfecho equilibrado da Rodada Doha pode, nessas circunstâncias, prover um impulso forte para o crescimento econômico, com melhores perspectivas para o desenvolvimento e assegurando um sistema de comércio mais previsível. Para Lamy, o único jeito de as negociações produzirem esse resultado é entender os interesses e limitações de todos os países envolvidos nas negociações.

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