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Com a maior expansão econômica dos países ricos em quase três anos, o mundo saiu, no fim do ano passado, de sua pior recessão desde os anos 40. Dados divulgados ontem pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostraram a retomada do crescimento nas economias industrializadas.

A expansão econômica no quarto trimestre do ano passado foi a maior desde o início de 2007. Mas agora é o velho continente que perde terreno e não consegue acompanhar a recuperação dos demais países ricos.

Entre o terceiro e quarto trimestre, as 30 economias mais ricas do mundo tiveram expansão de 0,8%. Na comparação com o mesmo período de 2008, porém, a taxa é ainda negativa, de 0,7%. Esse grupo representa 61% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. Somente os membros do grupo das sete economias mais ricas, o G-7, tiveram expansão de 0,9%.

A expansão representa uma melhora em relação ao 0,6% registrado no terceiro trimestre. Os americanos, com uma taxa de expansão de 1,4%, e o Japão, com 1,1%, lideraram a retomada. A economia americana foi a única que na comparação com 2008 já registrou alta de 0,1%. Todos os demais países do G-7 ainda terminaram o ano abaixo do crescimento de 2008.

Na China, na Índia e no Brasil, as indicações são de que o crescimento acelerado de fato voltou, o que significa, para a OCDE, que a recessão teria de fato acabado.

O que preocupa agora são os países europeus, que sofreram uma desaceleração no quarto trimestre e frearam a recuperação. A taxa de expansão da União Europeia (UE) foi de apenas 0,1%, ante 0,3% no terceiro trimestre.

A crise financeira global de 2008/2009 ainda fez explodir a taxa de desemprego e nem os bilhões de euros injetados na economia por todos os governos foram suficientes para reverter, por enquanto, as perdas. Se a crise surgiu do outro lado do Atlântico, analistas apontam que será a UE quem mais sofrerá para reagir.

AMEAÇA ITALIANA
Um sério obstáculo teria sido a estagnação da economia alemã. Ja a Itália sofreu uma queda de 0,2% em seu PIB. Para o economista Robert Mundell, ganhador do Prêmio Nobel de 1999 pelos seus trabalhos sobre a moeda única europeia, Roma tem hoje a economia que mais "ameaça" a estabilidade da zona do euro.

"Seria muito difícil resgatar a Itália", alertou disse Mundell. Um dos temores do economista é que os ataques especulativos e a falta de confiança na economia da Grécia acabem se transferindo para a Itália, a quarto maior economia da Europa. Mas, com uma dívida pública de 117% do PIB, o país soma um déficit de US$ 2,5 trilhões, cinco vezes maior que o da Grécia.

A França foi o único país europeu no G-7 a registrar uma alta importante no PIB, de 0,6%. Ainda assim, a OCDE acredita que os países ricos terão uma expansão de 1,9% em 2010, bem acima da previsão inicial de crescimento de 0,7%.

Para o próximo ano, a previsão é de crescimento de 2,5%. O que não está garantido é que essa taxa de crescimento seja suficiente para impedir o aumento do desemprego. A estimativa é que tanto a taxa de emprego como da dívida dos governos leve até 2014 para voltar aos níveis de 2007.

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