Tamanho do texto

Paco G. Paz.

Washington, 19 set (EFE) - O Governo dos Estados Unidos pôs sobre a mesa um plano de várias frentes para conter a crise financeira, que deverá ser aprovado pelo Congresso e que representará o desembolso de "centenas de bilhões de dólares".

O anúncio do lançamento deste plano provocou uma corrente de otimismo em Wall Street, que disparou mais de 400 pontos. Em só dois dias, o índice S&P 500 registrou a maior alta acumulada dos últimos 79 anos, desde a crise de 1929.

O eixo essencial do pacote de medidas, que será tramitado de forma rápida, será libertar as entidades financeiras dos ativos "tóxicos" do mercado hipotecário, que lastrearam seus balanços até levar algumas delas à falência.

Outras medidas serão voltadas a frear a especulação em Wall Street e a acalmar o ânimo dos investidores, cuja fuga ameaçava paralisar o ritmo dos mercados.

O secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, disse hoje que a intervenção pública poderia representar o desembolso de "centenas de bilhões de dólares", apesar de alguns veículos de comunicação terem dito, citando fontes do Congresso, que poderia chegar a US$ 1 trilhão.

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, compareceu hoje pela segunda vez em 24 horas para explicar que esta enorme intervenção pública nos mercados "não só está justificada, é essencial" para evitar um dano maior à economia.

"Devemos agir agora para proteger a saúde econômica de nossa nação", afirmou Bush em um comparecimento na Casa Branca ao lado do secretário do Tesouro, do presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), Ben Bernanke, e do presidente da Comissão de Valores Mobiliários americana (SEC, em inglês), Chris Cox.

Meia hora antes, Paulson antecipou alguns detalhes do pacote de medidas preparado pelo Governo e que deve ser negociado este fim de semana com os líderes do Congresso, para que possa ser aprovado na próxima semana.

Em todo caso, o Governo dos Estados Unidos elevará imediatamente sua participação no mercado imobiliário, que é considerado a raiz dos problemas financeiros do país.

As gigantes hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac, que sofreram intervenção do Governo este mês para evitar seu colapso, aumentarão as compras de ativos garantidos por hipotecas, que foram uma dor de cabeça para os bancos, porque ninguém quer comprá-los.

O Tesouro também ampliará um programa já em andamento para comprar diretamente esses títulos, segundo o secretário do departamento.

Outro dos eixos do plano de ataque contra a crise será a transferência da dívida de má qualidade dos bancos ao Governo, que a comprará com um preço de desconto para eventualmente leiloá-la nos mercados.

Esta será a parte mais cara do plano da Administração e deve ser aprovada pelo Congresso.

Entre as ações anunciadas hoje está também um programa para garantir temporariamente os fundos mútuos que colocam dinheiro no mercado de dinheiro ("money market"), investimentos considerados muito seguros até agora, mas alguns dos quais registraram perdas.

Esses fundos têm uma grande importância nos mercados, pois fornecem financiamento a curto prazo aos bancos.

Além destas medidas, a SEC impôs hoje uma proibição temporária às operações de venda a descoberto, que permite apostar na queda de um ativo que o investidor sequer possui.

Os detalhes sobre o plano de medidas apareceram apenas horas depois que o Governo, o Fed e os líderes do Congresso chegaram, na quinta-feira à noite, a um pacto para aprovar com a máxima urgência possível o plano de estabilização dos mercados.

O presidente do Comitê de Bancos do Senado, o democrata Chris Dodd, destacou à emissora "ABC" a importância desta intervenção, já que o sistema financeiro "estava literalmente a alguns dias do colapso total, com todas as implicações que significa aqui e em nível mundial".

Por sua vez, a presidente da Câmara Baixa, a democrata Nancy Pelosi, ressaltou que os legisladores estão dispostos a atuar de forma rápida e de acordo com um espírito bipartidário.

Também indicou que o Congresso está pronto para alongar suas sessões além da próxima semana, quando estava previsto que fossem suspensas. EFE pgp/db

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.