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Depois de cinco meses de negociação, ETH Bioenergia e Brenco anunciam hoje a união entre as duas empresas. Com a confirmação do negócio, surgirá a maior empresa produtora de etanol de cana do mundo.

Elas terão capacidade de produzirem juntas 3 bilhões de litros do combustível e 2,5 mil gigawatts-hora (GWh) por ano de energia elétrica obtida da biomassa. A Cosan, hoje a maior do setor, produz 2,3 bilhões de litros de etanol (safra 2009/2010).

A associação entre as duas empresas confirma a tendência de consolidação no setor sucroalcooleiro, que se acentuou no ano passado depois que a atividade passou por sérias dificuldades de caixa. A própria Brenco sentiu de perto os efeitos da falta de dinheiro nos bancos. Antes da ETH, tentou uma associação com a Petrobrás, em agosto do ano passado.

As duas empresas saíram do papel em 2007. Presidida por José Carlos Grubisich e controlada pelo Grupo Odebrecht, a ETH tem como sócia a trading japonesa Sojitz, com 33% das ações. A companhia é a que tem a expansão mais avançada. Tem cinco usinas em operação - Alcídia (SP), Conquista do Pontal (SP), Rio Claro (GO), Eldorado (MS) e Santa Luzia (MS). Para a safra 2010/11, a produção é estimada em 11 milhões de toneladas de cana e 720 milhões de litros de etanol. O plano de investimento da companhia previa, antes da união com a Brenco, o desembolso de R$ 900 milhões neste ano.

Já a Brenco, que tem Philippe Reichstul como presidente, possui duas usinas em condições de começar a moagem neste ano. O projeto Água Emendada fica em Goiás e o Costa Rica, em Mato Grosso do Sul. Juntas, as duas plantas da Brenco têm capacidade final de moagem de 3,8 milhões de toneladas de cana. Antes da associação, a empresa previa investir cerca de R$ 5,5 bilhões até 2015, com a implantação de três polos bioenergéticos com 10 unidades industriais. O ativo das duas companhias é estimado em aproximadamente R$ 3,5 bilhões.

Em outubro passado, ETH e Brenco assinaram um memorando de entendimento para analisar a união. Juntas, elas têm condições de chegar a uma capacidade de moagem de 37 milhões de toneladas de cana por ano, o que as colocariam entre as maiores do País.

MERCADO CONCENTRADO
Analista do mercado de energia da consultoria Safras & Mercado, Miguel Biegai acredita que a nova empresa, apesar da grande capacidade de produção, pode sofrer com a dedicação exclusiva ao etanol. "Basta ver o que aconteceu no ano passado com as usinas dedicadas apenas ao etanol. Elas tiveram uma dificuldade tremenda por conta do preço baixo. O valor pago não remunerava nem o custo de produção e só com os ganhos no açúcar foi possível equilibrar as contas", explica Biegai.

Para o especialista, a aposta dos dois grupos no setor de energia (etanol e biomassa) pode estar correta, se houver dinheiro em caixa para aguentar uma aposta com resultados apenas no longo prazo. "Até lá, ETH e Brenco terão de investir muito nos ganhos de sinergia", disse.

O negócio entre ETH e Brenco é o segundo do setor em menos de dois meses. O primeiro foi a joint venture entre a Cosan e a Shell. A multinacional Bunge também tem planos agressivos para o setor sucroalcooleiro. No ano passado, já fechou a compra do Grupo Moema.

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