Tamanho do texto

SÃO PAULO - Os países desenvolvidos afetados pela crise financeira deveriam privilegiar uma agenda verde de investimentos sustentáveis em suas políticas anticíclicas e priorizar, inclusive, aportes em biocombustíveis. A opinião é da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que participou nesta tarde da Conferência Internacional de Biocombustívies, em São Paulo.

"A crise financeira internacional é, sem sombra de dúvida, algo grave pois compromete a a demanda mundial. Mas há um conjunto de países, incluindo Estados Unidos e Europa, cientes da importância de investimento em algumas áreas. No caso dos EUA eles mesmos mencionam o segmento de energia no setor de combustíveis verdes, renováveis ou que não tenham emissão de carbono", comentou a ministra.

Segundo ela, "é cogitado" que o apoio à recuperação da própria indústria automobilística americana seja condicionado ao uso de tecnologias limpas. Em sua exposição, Dilma mencionou a importância do mercado interno de etanol, e da cadeia de produtiva desenvolvida no país nos últimos anos.

Ainda assim, a ministra destaca que é preciso aproveitar o potencial exportador deste setor e desenvolver políticas de mercado em conjunto com outros potenciais fornecedores, da África, da América Latina e do Caribe.

A ministra destacou que problemas de crédito no setor estariam sendo sanados por meio do pacote governamental de capital de giro de R$ 10 bilhões e que eventual criação de pacotes específicos para o segmento dependeriam da "necessidade".

Dilma diz que é preciso que haja segurança comercial no fornecimento de biocombustíveis para o sucesso das exportações do produto. Assim, convém ao Brasil que seja parceiro na oferta de experiência e tecnologia em outros países em desenvolvimento para garantir uma produção maior, sem risco para abastecimento da demanda local e externa. Para isso, a diversificação de fornecedores é "muito importante", avalia a ministra.

Outra questão levantada pela ministra é a necessidade de rever a prática de barreiras tarifárias em países desenvolvidos contra biocombustíveis vindos de países emergentes. "Esse mercado precisa de um sopro de ar que acabe com o protecionismo", disse, acrescentando que tal prática é "incompatível" com a criação de um ambiente em que os biocombustíveis tenham relevância internacional.

Para uma platéia com muitos convidados estrangeiros do setor de biocombustívies, Dilma fez questão de informar que o governo está providenciando um "zoneamento agroecológico do etanol", que terá como objetivo indicar as regiões onde podem ou não ser feitas plantações de cana de açúcar. O objetivo seria não só preservas localidades como Amazônia e Panatal, por exemplo, mas também levar em conta questões de solo e produtividade do plantio.

Não ficou de fora também o alerta da ministra de que a produção de biocombustível no Brasil não compromete a produção de alimentos e que ambos os mercados têm se desenvolvido bem simultaneamente.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.