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Especialistas apontam que PIB deve crescer entre 3% e 3,5% em 2012; projeções do governo apontam um resultado de 4,5% neste ano

O pacote de incentivo à indústria deverá ter pouco efeito para o crescimento da economia em 2012. Segundo especialistas, o efeito das medidas pode gerar algum crescimento no curto prazo, mas será um desempenho volátil. Para gerar um cresicmento mais sustentável, em bases mais sólidas, é necessário uma ampla reforma tributária, além de mudanças na estrutura de gastos de custeio do governo com a operação da máquina pública e melhorias na infraestutura do País.

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Nesta terça-feira o Governo Federal apresentou medidas para ajudar a indústria a enfrentar a crise econômica internacional, reforçando ações sobre o câmbio e na área tributária, com a desoneração da folha de pagamento, junto com estímulos à produção de bens e equipamentos no Brasil.

Foram anunciadas ainda medidas para reduzir o custo do comércio exterior e de defesa comercial. Mudanças nas condições de crédito, por meio do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico Social (BNDES), e condições mais favoráveis para a indústria automobilística nacional também foram apresentadas.

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O pacote no total soma R$ 60,4 bilhões, sendo que desse montante R$ 3,1 bilhões representam renuncia fiscal pela União.

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AE/PAULO PINTO
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Na avaliação do economista Antonio Correa de Lacerda, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), as medidas são positivas, mas de forma isolada não produzem um grande efeito para o desempenho da economia. Segundo Lacerda, o Produto Interno Bruto (PIB) deve ter um desempenho entre 3% e 3,5% este ano.

“Medidas de desoneração são sempre positivas, mas precisam estar aliadas com outras políticas, como a redução dos juros”, diz Lacerda. “Estamos competindo com países como a China e a Coreia que utilizam diversos mecanismos de incentivo para a economia. Precisamos atacar o problema da infraestrutura e da logística que também tiram a competitividade dos produtos nacionais”, acrescenta.

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Para este ano, o governo projeta um crescimento de 4,5%. Na segunda-feira, o Banco Central divulgou o relatório Focus com as projeções do mercado financeiro para o desempenho da economia. O documento aponta que os analistas voltaram a reduzir a estimativa de crescimento do PIB, que passou de 3,23% para 3,2% em 2012.

Nesta terça-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os dados sobre o desempenho da produção industrial. Os números mostram que apesar de ter crescido 1,3% na comparação com janeiro, mês em que houve queda de1,5% no setor de produção, o resultado segue fraco, com retração de 3,9% sobre o desempenho do mesmo período do ano passado.

Flávio Serrano, economista-sênior do Espírito Santo Investment Bank, avalia que as medidas são positivas e vão no sentido de reduzir impostos e aliviar o sufoco dos setor privado.”Mas é uma medida temporária e que não ataca o problema tributário mais complexo, nem as deficiências da fraca infraestrutura do País”, diz.

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Segundo Serrano, parte da crise do setor de produção decorre do cenário de conjuntura internacional já que o segmento industrial é o que mais lida com a economia externa e sofre mais diretamente seus efeitos agora durante a crise que atinge os Estados Unidos e a Europa. “O impacto das medidas no PIB deve ser marginal e o crescimento este ano não deve passar de 3,5%. Pode haver uma aceleração da economia no curto prazo, mas será um comportamento mais volátil”, completa.

Desempenho da indústria

Variação do indicador de produção com ajustes sazonal

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Fonte: IBGE

O economista Pedro Paulo Silveira, da TOV Asset Management, analisa que as medidas podem fazer pouco pelo setor diante da queda de demanda global. As economias ricas estão passando por um forte desemprego, com mais de 17 milhões de pessoas sem trabalho somente na Europa, e perda do poder de compra. “Esse cenário reduz o potencial dos mercados mais desenvolvidos para os produtos brasileiros”, diz. “Além disso, mais protecionismo pode gerar mais problemas que soluções para a economia. As contrapartidas também não estão muito claras e não há garantias de que o setor produtivo não irá repassar possíveis aumentos de custos e matérias-primas para os demais elos da cadeia. Isso pode gerar pressões inflacionárias e comprometer os objetivos do Banco Central.”

Desempenho fraco

A redução do desempenho do setor industrial contribui para que o PIB de 2011 não tivesse um crescimento mais robusto. No ano passado, o setor produtivo registrou crescimento de 1,6%, contra 2,7% dos serviços e 3,9% da agropecuária.

No ano passado, a indústria de transformação ficou praticamente estagnada em relação a 2010, com variação de 0,1% influenciada, principalmente pela redução do valor adicionado de automóveis, vestuário, metalurgia e máquinas, entre outros.

De acordo com o IBGE, a variação negativa da indústria foi puxada pela queda de -3,1% na Indústria de transformação. O desempenho ruim da indústria de transformação foi atribuído à redução da produção de têxteis, artigos de vestuário, calçados, máquinas e equipamentos.

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