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Para Nicholas Stern, ex-economista-chefe do Banco Mundial, há razões para tarifar produtos elaborados com métodos que afetam o ambiente

Nicholas Stern, um dos especialistas mais ouvidos sobre mudança climática, propôs nesta sexta-feira a imposição de tarifas para a importação de bens produzidos "de forma suja" como forma de incentivar tecnologias que freiem a mudança climática.

Stern, ex-economista-chefe do Banco Mundial e membro da Câmara dos Lordes do Reino Unido, disse ter lutado toda sua vida contra o protecionismo, que na maioria dos casos segundo sua opinião se deve a grupos de interesse com influência sobre as decisões políticas de um país.

No entanto, afirmou que existem sim razões para impor tarifas sobre bens elaborados com métodos que contribuem para o aquecimento do planeta. "Se um país produz um bem de forma suja e tenta vendê-lo em um mercado onde outros produzem de forma limpa está plenamente justificada a aplicação de impostos alfandegários", explicou em uma conferência organizada pela Câmara de Comércio Equatoriano-Britânica do Equador, onde Stern está há uma semana.

O economista britânico, que em 2006 publicou um relatório de grande influência que leva seu nome - alertando sobre as consequências econômicas da mudança climática - citou como precedente medidas tarifárias tomadas por Washington para proteger a ecologia.

"Os Estados Unidos invocaram com sucesso os mecanismos ambientais da OMC (Organização Mundial do Comércio) contra as importações de camarões asiáticos que eram criados com métodos que prejudicavam os golfinhos", explicou.

Para Stern o combate do aquecimento global é uma razão até mais importante para criar tarifas do que a proteção dos golfinhos.

Sua sugestão inscreve-se em um debate mundial sobre a possibilidade de penalizar quem gerar emissões de dióxido de carbono e não só dar incentivos a quem reduzir a poluição.

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