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Segundo a ministra de Finanças, ministérios terão cortes acima da média proposta, devido ao possível aumento dos custos

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O governo da Espanha planeja cortar os gastos do próximo ano em 3,8%, ou 4,67 bilhões de euros, sinalizando sua determinação para continuar reduzindo o déficit orçamentário do país. O limite de gastos, estabelecido em mais de 117 bilhões de euros, representa o primeiro passo na formulação do orçamento de 2012. A ministra de Finanças espanhola, Elena Salgado, informou que isso foi aprovado na reunião semanal do gabinete de governo.

A Espanha, que é a quarta maior economia da zona do euro, está sofrendo com o colapso de um boom imobiliário que durou uma década. O colapso levou as contas do setor público para o vermelho, provocou aumento no desemprego e deixou o país vulnerável a uma disseminação da crise de dívida soberana da região.

Sob intensa pressão dos líderes da União Europeia e dos mercados financeiros, a Espanha cortou o déficit do governo geral e reduziu os salários e os gastos do setor público em um esforço para diminuir o déficit orçamentário, que atingiu o pico de 11% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009.

Salgado afirmou que cada ministério enfrentará maiores cortes de gastos do que o de 3,8% proposto, em razão de um potencial aumento nos custos de financiamento. "Nós estamos em um período de instabilidade nos mercados" principalmente por causa das dificuldades da Grécia , disse a ministra. "Por isso, a estimativa de pagamentos de juros precisam ser muito conservadoras", acrescentou.

O governo reduziu seu déficit orçamentário para 9,3% do PIB no ano passado e pretende alcançar 6% em 2011, 4,4% em 2012 e 3% em 2013. A maior parte das reduções nos gastos virão de cortes do governo central. Governos regionais e municipais - que acumularam dívida durante os anos de boom econômico que se seguiram à adoção do euro pela Espanha em 1999 - controlam metade dos gastos no país e até agora fizeram pouco progresso nesse assunto.

O primeiro-ministro espanhol, José Luís Rodriguez Zapatero, deverá convocar eleições gerais até março. Seu poder vem diminuindo significativamente desde que ele decidiu, no começo deste ano, não concorrer à reeleição. Os líderes do Partido Socialista recentemente escolheram Perez Rubalcaba como o candidato para as eleições gerais. As informações são da Dow Jones.