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Fórum de RH pede ação conjunta entre iniciativa privada e governos da região

SÃO PAULO - Gerenciar talentos, desenvolver lideranças e lidar com a escassez de mão de obra qualificada é um desafio não apenas das empresas brasileiras, mas de toda a América Latina. Para enfrentar esse problema, é preciso haver uma ação conjunta entre a iniciativa privada e os governos para flexibilizar as legislações e diminuir as diferenças culturais a fim de facilitar a mobilidade entre os países. Essa foi uma das principais conclusões do II Fórum Latino-Americano – Plena Expansão de Recursos Humanos, realizado hoje no 37º Congresso Nacional Sobre Gestão de Pessoas (CONARH ABRH).

De acordo com o argentino Horácio Quirós, presidente da World Federation of People Management Associations (WFPMA), os países em desenvolvimento da América Latina, especialmente o Brasil, deveriam seguir o exemplo de imigração controlada do Canadá. “É preciso estabelecer perfis profissionais que sejam interessantes para o desenvolvimento do país e incentivar a vinda desse pessoal para que se adaptem tanto pessoal quanto profissionalmente”, afirma.

Na opinião de Quirós, embora existam barreiras culturais e de idioma, os países da América do Sul não têm diferenças radicais como as religiosas. “Hoje o recrutamento deve ser global. Você seleciona os recursos quando os têm. Caso contrário, é preciso comprá-los e, se eles não estiverem disponíveis, importá-los”, diz.

Para Leovigildo Canto, presidente da Federación Interamericana de Asociaciones de Gestión Humana (FIDAGH), se os sistemas educacionais acompanhassem a demanda da economia, não haveria desemprego. “Qualificar pessoas envolve tempo e dinheiro. Mesmo os que já estão no mercado precisam se atualizar constantemente para não se tornarem obsoletos”, ressalta.

Canto lembra que há poucos anos boa parte dos países latino-americanos eram sinônimo de um único produto. “Um exportava petróleo, outro café, outro camarão. Hoje todos têm economias complexas e diversificadas e não nos preparamos para essa realidade.”

Embora o recrutamento nos países vizinhos possa ajudar a amenizar parte da escassez de talentos, Paulo Sardinha, diretor de recursos humanos da Turbomeca do Brasil, que atua no segmento aeronáutico, afirma que a solução definitiva precisa ser “caseira”. “É necessário formar pessoas internamente, com uma visão de longo prazo”.

Sardinha, por exemplo, entrou na empresa em 2004 com a missão de reformular o departamento de RH e atrair e reter engenheiros – particularmente os aeronáuticos. “Passamos a investir fortemente em bolsas de estudo, treinamento e desenvolvimento de pessoas”, explica. Hoje, sete anos depois, ele garante está em uma situação confortável em relação ao quadro profissional da companhia. “Se o RH não achar uma solução, o financeiro acha. Isso geralmente é um problema, pois eles têm formas bem diferentes de pensar”, brinca.

(Rafael Sigollo | Valor)

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