Tamanho do texto

Envolvido em novo caso de abuso sexual, chef?o do FMI e "viciado em sexo", diz m?e de suposta vitima

Piroska Nagy, economista hungara: affair em Davos, na Suica, e emprego em Londres
Getty Images
Piroska Nagy, economista hungara: affair em Davos, na Suica, e emprego em Londres
O passado não ajuda muito nestas horas.

A prisão do economista francês Dominique Strauss-Kahn, sob a acusação de crime sexual contra uma camareira em um hotel de luxo em Nova York, gerou volatilidade imediata nos mercados, causou a apreensão de governos como Grécia e Portugal em seus pacotes de socorro financeiro, provocou dúvidas sobre quem ocupará a liderança do FMI e pôs uma interrogação sobre a eleição presidencial de França em 2012. Raras vezes um suposto ato sexual causou um turbilhão deste porte.

Mas DSK, como Dominique Strauss-Kahn é conhecido pelos franceses, já tinha mostrado suas garras no passado. Ele já tinha sido protagonista de escândalos sexuais anteriores. Em 2008, no auge da crise financeira internacional, Strauss-Kahn, já todo poderoso diretor-geral do FMI, foi investigado por ter tido um romance com a jovem economista do próprio fundo, a húngara Piroska Nagy, casada com o ex-presidente do Banco Central da Argentina, Mário Blejer. O caso teria ocorrido no Fórum Econômico de Davos, na Suíça, em janeiro daquele mesmo ano.

Strauss-Kahan e Anne Sinclair, em foto de 2006: nota da mulher contra acusac?es de abuso sexual
AP
Strauss-Kahan e Anne Sinclair, em foto de 2006: nota da mulher contra acusac?es de abuso sexual
Piroska deixou o FMI, mas Strauss-Kahn a indicou para um posto em Londres no Banco Europeu para o Desenvolvimento. Depois que a investigação veio à tona, ele fez uma declaração pública lamentando o episódio. "Eu lamento profundamente o incidente e aceito a responsabilidade por ele", disse Strauss-Kahn. A publicação semanal "Le Journal Dimanche" o apelidou de "o Grande Sedutor".

Como no episódio da camareira de Nova York, sua mulher Anne Sinclair, uma jornalista franco-americana, uma espécie de Marília Gabriela da TV francesa, aceitou o perdão do marido. “Estamos calmamente à espera da sua conclusão, que não deve demorar muito. Pela minha parte, este encontro de uma noite está ultrapassado. Viramos a página. Posso acrescentar que nos amamos agora tanto como quando nos conhecemos," disse à época. No domingo, ele emitiu outra nota: "Não acredito nem por um segundo nas acusações feitas ao meu marido".

Pai de quatro filhos, Strauss-Kahn está em seu terceiro casamento. Aos 18 anos, casou com uma colega dos tempos do colegial. Diante do escândalo da camareira de Nova York, que não teve seu nome revelado, surgiu uma nova denúncia. Anne Mansouret, uma vereadora socialista da região da Alta-Normandia, afirmou à mídia francesa que sua filha, a jornalista Tristane Banon, sofreu uma tentativa de estupro por parte de Dominique Strauss-Kahn, em 2002. "Ele tem um problema real: ele é viciado em sexo, como outros têm problemas co

álcool, drogas ou jogo", disse.

Os franceses não dão tanta bola para o que seus homens públicos fazem no privado. Alegam que denúncias desta natureza está relacionada ao puritanismo americano. François Miterrand, o socialista que chegou à presidência da França em 1981, escondeu por anos que tinha uma filha fora do casamento, Mazarine Pingeot. Reconheceu-a publicamente só em 1994, dois anos antes de sua morte. Mas, apesar de o futuro de Strauss-Kahn parecer estar comprometido tanto no FMI como no Partido Socialista por causa deste novo escândalo, o que os franceses não toleram é para as mentiras, os conflitos de interesses e os fraudes econômicas.