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O governo do Equador deu ontem um prazo de 48 horas para que quatro funcionários da construtora brasileira Norberto Odebrecht deixem o país. A ordem tornou-se efetiva por meio da publicação de um decreto assinado no dia 9 pelo presidente Rafael Correa, que no final do mês passado expulsou a empresa do Equador.

O documento também prevê a revogação do visto de cinco funcionários da empresa brasileira Furnas Centrais Elétricas S.A.

Os funcionários da Odebrecht que foram expulsos do país são os diretores da empresa que viviam no Equador, Fabio Andreani Gandolfo e Fernando Bessa; o vice-presidente da construtora para a América Latina, Luiz Antônio Mameri; e o advogado Eduardo Gedeon. Os quatro brasileiros tiveram sua saída do país proibida por Correa no dia 23. No entanto, apenas Bessa e Gedeon permaneciam em Quito. Até quarta-feira, os dois estavam hospedados na Embaixada do Brasil na capital equatoriana.

O Itamaraty recebeu com cautela a decisão do Equador, afirmando que, apesar de resolver o problema dos brasileiros que ainda estavam no país, pode ter conseqüências para as relações entre Brasília e Quito. "Na prática, é uma medida que resolve, mas politicamente é uma decisão extremamente dura que há de ser considerada nas relações bilaterais", afirmaram fontes próximas do caso.

As outras expulsões ordenadas pelo governo equatoriano são referentes aos funcionários da estatal brasileira Furnas Newton Goulart Graça, Ricardo Thadeu Gonçalves, José Francisco Farage, Carlos Reis e Devocir Magalhães. A empresa - que não tem instalações físicas no Equador - foi expulsa por Quito na semana passada sob o argumento de que foi responsável pela fiscalização das obras da Usina Hidrelétrica de San Francisco, feitas pela Odebrecht.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, evitou tecer maiores comentários sobre a nova investida do Equador contra empresas brasileiras. "Furnas não tem nenhum bem lá. Não sabemos direito o que estão falando sobre expulsão", declarou o ministro, avisando que não quer entrar em uma "guerra de retórica".

Segundo apuração do Estado em Brasília, o governo equatoriano decidiu que as obras da Odebrecht ainda em curso no país serão tocadas por "trabalhadores nacionais", sem definir uma empresa específica. Quito assegurou que só abrirá licitação para empresas estrangeiras caso haja a necessidade de profissionais com qualificações específicas.

A expulsão dos nove brasileiros do Equador ocorreu no mesmo dia em que Quito denunciou suposto superfaturamento e outras irregularidades nos contratos firmados entre o país e a Odebrecht. "Apresentamos uma denúncia na Promotoria", afirmou o secretário anticorrupção, Alfredo Vera.

Em nota oficial, a Odebrecht lamentou a decisão equatoriana e reiterou a lisura dos contratos - todos, segundo ela, firmados ou revisados durante o governo de Correa. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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