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Quito, 24 set (EFE).- O presidente do Equador, Rafael Correa, afirmou que o embargo dos bens da Odebrecht não deve trazer repercussões negativas nas relações entre o Equador e o Brasil.

Correa disse para emissoras locais que já conversou sobre o assunto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada no Chile durante a Cúpula Extraordinária da União de Nações Sul-americanas (Unasul).

"Disse a ele que o que esta empresa fez no Equador é terrível e não acho que haja repercussões internacionais", declarou.

Correa ordenou ontem a militarização das obras da Odebrecht e proibiu que os diretores da companhia deixem o país.

O presidente equatoriano afirmou hoje que a decisão de intervir na hidroelétrica de San Francisco e em outros projetos levados à frente pela empresa brasileira era absolutamente necessária.

A intervenção aconteceu, segundo a Presidência, por causa da recusa da Odebrecht de reconhecer o prejuízo causado pela paralisação da planta desde junho após serem detectados danos em sua construção e as graves falhas em sua estrutura física, informa a Presidência equatoriana.

"A Odebrecht estava se burlando do país e, quanto mais procuramos, mais irregularidades encontramos em todos os contratos", declarou Correa, que explicou que o Governo buscou uma solução justa para ambas as partes, mas que a companhia brasileira não cumpriu sua palavra.

"Disse a eles: 'Acertem isto e reconheçam o lucro perdido'. Duas vezes por iniciativa deles mesmos estivemos a ponto de assinar um acordo consistente na integração de um fideicomisso até que venha um especialista internacional e veja quem tem a razão", explicou.

O Governo aceitou esta condição "e as duas vezes se jogaram para trás. Já não há terceira vez", declarou o governante.

"Acharam que nos iam conduzir como manejaram tantos Governos ou iam subornar um alto funcionário, por isto ontem assinei o decreto de expulsão", declarou Correa, apesar de o decreto presidencial não mencionar a expulsão da empresa do país.

Além disso, ele anunciou que o Executivo analisa a possibilidade de não pagar o crédito por meio do qual o BNDES financiou a construção da usina hidroelétrica de San Francisco.

"Este crédito foi dado através da Odebrecht e também tem graves irregularidades, pois há dinheiro que nem sequer entra no país, é dinheiro que lá se contabiliza como crédito interno e em verdade é um dinheiro que é emprestado à empresa", declarou Correa.

O presidente acrescentou que se trata de um empréstimo de mais de US$ 200 milhões "para um projeto que não serve".

A decisão de intervir a planta de San Francisco se deu poucos dias após o Governo equatoriano ameaçar expulsar a empresa brasileira, por descumprir os trabalhos de reparação em San Francisco. EFE sm/fal

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