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RIO - A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) revisou a projeção para o consumo de energia elétrica no Brasil em 2009 para 397,4 mil gigawatts-hora, contra previsão inicial de 411,6 mil GWh. As projeções para o consumo de energia entre 2009 e 2013 foram apresentadas hoje na reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) e significam um crescimento de apenas 1,2% no consumo de energia este ano, contra 4,8% de alta na previsão anterior.

A revisão incorpora os efeitos da crise financeira internacional no país, sendo que a diferença de 14,2 mil GWh se concentra no consumo industrial e equivale a dois terços de todo o consumo anual de energia da Região Norte.

A EPE prevê uma queda de 2,1% no consumo industrial este ano, contra projeção anterior de alta de 5,1%. No setor residencial, a expectativa passou de um crescimento de 4,5% para uma alta de 4,1%, enquanto o consumo comercial deve crescer 4,2% em 2009, contra projeção anterior de 4,5%.

"Nos anos seguintes, até 2013, a revisão indica também reduções expressivas, embora nominalmente menores, entre 11 mil e 13 mil GWh em cada ano", diz a nota divulgada pela EPE.

O documento frisa que a revisão do consumo tem impacto direto na carga de energia do Sistema Interligado Nacional (SIN), que engloba o consumo somado às perdas no sistema e representa a solicitação ao sistema gerador. A EPE e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) revisaram a projeção da carga, que deverá ficar, em média, 1.750 megawatts-médios menor que a estimativa anterior.

Na prática, a redução da carga significa menos pressão para expansão da oferta de energia, em um montante equivalente, segundo a EPE, à geração de uma usina de 2 mil MW a 2,5 mil MW.

Houve revisão também na expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) usado pela EPE para balizar o comportamento do consumo de energia. Antes da crise, a expectativa era de um avanço de 4% do PIB, estimativa que recuou para uma alta de 2%. O crescimento médio anual do PIB entre 2009 e 2013, que era de 4,9%, passou para 4,3%, enquanto o número de ligações de energia nas residências deve crescer em 8 milhões, contra previsão anterior de 8,7 milhões. No quinquênio, o avanço médio do consumo de energia deve ser de 4,3%, contra expectativa anterior de 4,8%.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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