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O governo decidiu que a capitalização da Telebrás em R$ 3,2 bilhões acontecerá ao longo dos próximos três anos. A maior parcela de recursos, no entanto, estimada em R$ 1,5 bilhão, será liberada em 2011, revelou ao Grupo Estado o futuro presidente da empresa, Rogério Santanna, atual secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento.

O governo decidiu que a capitalização da Telebrás em R$ 3,2 bilhões acontecerá ao longo dos próximos três anos. A maior parcela de recursos, no entanto, estimada em R$ 1,5 bilhão, será liberada em 2011, revelou ao Grupo Estado o futuro presidente da empresa, Rogério Santanna, atual secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento. Ele confirmou ter recebido e aceito o convite para comandar a estatal e se mostrou animado em tocar os investimentos. "Vamos investir um pouco mais no primeiro ano porque é quando teremos mais gastos". Os investimentos serão iniciados em 2011 porque no orçamento deste ano não existe investimentos para a empresa. Apesar das incertezas em relação ao cronograma efetivo de execução do Plano Nacional de Banda Larga, anunciado na quarta-feira pelo Palácio do Planalto, Santanna insiste que a medida irá promover concorrência no setor. Para ele, o programa beneficiará o consumidor, especialmente nas regiões que atualmente não são atendidas pelas empresas privadas. A seguir os principais trechos da entrevista, concedida aos jornalistas Gerusa Marques e Renato Andrade: <b>Agência Estado - A capitalização da Telebrás acontece ainda este ano?</b> Rogério Santanna - Isso tem que ser preparado para o ano que vem. Este ano não tem. Mas a empresa tem recursos suficientes para começar a operar. <b>AE - A injeção de recursos do Tesouro será feita em 2011? </b> Santanna - Nos próximos três anos. Vamos investir um pouco mais no primeiro ano, cerca de R$ 1,5 bilhão, porque é quando teremos mais gastos. Tem que haver um orçamento de investimento e capitalização em estatais. Como este ano não tem previsão de investimento, isso tem que estar na proposta de Orçamento do ano que vem. E a capitalização acabará sendo maior do que o previsto porque os acionistas minoritários vão ser chamados para participar da operação. A União vai fazer uma chamada e informar que irá aumentar sua participação e perguntar se os minoritários querem acompanhá-la. <b>AE - Os acionistas minoritários devem aderir à capitalização?</b> Santanna - Certamente. Veja o que aconteceu em 2008 quando houve um aporte de R$ 200 milhões. A empresa recebeu mais R$ 3 milhões dos acionistas minoritários. Não foi muito dinheiro, mas houve. <b>AE - A necessidade de investimentos é que determinou a colocação de mais dinheiro do Tesouro na Telebrás em 2011?</b> Santanna - Não é que o investimento seja mais pesado. A partir do segundo e do terceiro ano teremos que continuar investindo no mesmo patamar, mas o processo já estará gerando renda, a empresa terá receita. <b>AE - O que precisa ser feito de imediato para a reativação da Telebrás?</b> Santanna - Temos que ter uma assembleia geral de acionistas, fazer as modificações e adequações da empresa para atender isso. O Ministério das Comunicações já deve estar encaminhando isso. <b>AE - Em quanto tempo a empresa estará efetivamente funcionando?</b> Santanna - Acredito que em uns dois meses. À medida que a empresa se institua, temos que provê-la de funcionários. Recolocando as diretorias e a nova estrutura operativa e com o retorno dos funcionários cedidos à Anatel, cerca de 60 técnicos e outras 30 pessoas, nós podemos começar a funcionar. <b>AE - É um desafio assumir a Telebrás agora, com essa nova função?</b> Santanna - Sem dúvida é um desafio, mas a parte mais difícil foi aprovar (o plano). Tenho aprendido ao longo desse tempo no governo que é mais difícil aprovar os projetos do que depois executá-los. Não faltarão aves de mau agouro para que o projeto não funcione. Mas há também um grande apoio que tenho recebido por parte dos consumidores, dos interessados. <b>AE - Existem muitos focos de resistência?</b> Santanna - Sabemos de onde vem a resistência. As empresas que vão ser afetadas, porque estão numa zona de conforto em seus mercados, naturalmente vão reagir. Eu espero que consigam compreender que elas podem operar em conjunto, mas vão ter que sair da zona de conforto porque terão concorrência. <b>AE - A capitalização da Telebrás ficará para o próximo governo. A operação não pode ser abortada, caso a oposição vença as eleições presidenciais de outubro?</b> Santanna - Risco sempre há. Construir qualquer coisa é difícil, mas desmanchar é fácil. Agora eu acredito que o País tenha chegado num grau de maturidade importante em que não vai desperdiçar seus ativos, deixar de utilizá-los para resolver um problema. <b>AE - Todo plano depende de uma solução definitiva para o imbróglio jurídico sobre a rede de fibras ópticas da Eletronet?</b> Santanna - Não depende. Primeiro porque o sistema elétrico tem fibras que não estão de posse da Eletronet. Além disso, há trechos paralelos da Petrobras. Alternativas têm várias. Mesmo num cenário onde eu não consiga colocar a mão em fibra nenhuma, dá para fazer o plano, usando as fibras exclusivas do setor elétrico e as da Petrobras. Tem trecho para tudo, solução para tudo. Não tem impossibilidade de não fazer.

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