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Procura por "porto seguro" e pacote do FED pressionam valorização da moeda americana

Entre as moedas emergentes e de países desenvolvidos, o real é a que mais caiu ante o dólar nos últimos dias. Em 26 de julho, a moeda americana estava cotada a R$ 1,54, ao passo que ontem ela chegu a ultrapassar a marca de R$ 1,90 . Veja, abaixo, sete razões pelas quais essa alta brusca tem acontecido:

Especulação também motiva alta: maioria dos investidores aposta no real fraco
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Especulação também motiva alta: maioria dos investidores aposta no real fraco
1) Busca de um porto seguro – Com as bolsas do mundo todo enfrentando turbulências, devido às más notícias produzidas na zona do euro e nos EUA, os investidores tendem a comprar ativos mais seguros, como títulos do governo americano e dólar. A maior demanda pela moeda eleva o preço;

2) Saída de recursos do País – A frase do momento é recapitalizar as instituições financeiras, ou seja, levantar dinheiro para enfrentar os momentos difíceis. Esse dinheiro terá de sair de algum lugar e os emergentes são candidatos a "pagar" essa conta. O mesmo acontece com empresas de diversos setores da economia. Apesar de estarem bem no Brasil, agora têm de ajudar suas matrizes externas. A falta de liquidez pressiona a alta da moeda americana;

3) Especulação – A alta no dólar foi antecedida por uma zerada de posição vendida no mercado futuro (ou seja, sair da aposta no real e passar a apostar no dólar). Fernando Bergallo, gerente de cambio simplificado da TOV Corretora, afirma que a troca de posições vendidas por posições compradas – que ganham com a alta do dólar – continua acontecendo. "Há um mês, tínhamos US$ 14 bilhões em posições vendidas. Hoje, o saldo é de US$ 1,5 bilhão de posições compradas," diz, citando dados da BM&FBovespa.

4) Pacote americano – O mercado aguardava com ansiedade o governo americano anunciar os detalhes do Afrouxamento Quantitativo 3 (ou QE3), que deveria ajudar na retomada econômica dos EUA. Mas o mercado avaliou que as medidas, anunciadas essa semana pelo FED , terão pouco efeito real sobre a situação nos EUA;

5) Ajuste de câmbio – Enquanto existem agentes que acreditam que estamos passando apenas por um episódio de volatilidade extremada, que em breve o real voltará a mostrar sua robustez, também pode-se ouvir de analistas que dólar a R$ 1,80 é novo piso do mercado . Ou seja, a moeda americana estava mesmo muito “barata” e a alta faz parte de um ajuste natural.

6) “Mundo mais fraco” – Para o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, não é o dólar que está mais forte: é o mundo que ficou mais fraco . “[ Após o anúncio do FED, mencionado no item 4, acima ] ficou no ar uma sensação incômoda de que chegamos no limite do que a ponte entre o presente e o futuro (expressa na curva de juros) pode fazer por nós no presente.”, diz o economista. “O dólar reagiu como este porto seguro num mundo onde tudo é fluido e se desmancha no ar. O dólar não está ficando mais forte, é o mundo que está mais fraco e com isto liquida-se o presente (fugindo para os ativos mais líquidos) em nome de um futuro que não está mais lá”, afirma.

7) Corte nos juros – A recente decisão do Banco Central de baixar os juros em 0,5 ponto percentual torna o Brasil um destino um pouco menos atraente para o dólar dos investidores estrangeiros. A baixa nos juros significa que investir capital nos títulos nacionais passa a ter uma remuneração menor, o que dá mais uma razão a quem pensava em sacar os dólares aplicados no mercado brasileiro. Para o investidor que vinha ganhando duplamente com aplicações no Brasil – aproveitando tanto o juro brasileiro como a valorização do real – a alta recente do dólar é outro motivo para que leve seus recursos de volta ao seu país, o que contribui para o movimento altista da moeda norte-americana.

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