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Executivos preferem que governo decida como será a cobrança e a destinação de recursos dos impostos sobre a emissão de carbono

Uma série de pesquisas que saíram nos últimos meses sobre custos ambientais, focadas principalmente nas mudanças climáticas, apontaram uma direção delicada: a maioria dos executivos prefere que os governos decidam como será a cobrança de impostos e taxas sobre a emissão do carbono e sua aplicação em fundos de investimento para reduzir o impacto dos gases de efeito estufa.

É perigoso deixar variáveis tão importantes a mercê de terceiros, mesmo que ele seja seu próprio representante legal e, na maioria das vezes, eleito com seu voto. É indiscutível a importância de governos no combate às mazelas do homem ao seu habitat, mas por meio de leis e regulamentações sobre o tema.

Todos os nossos meios de produção dependem de recursos naturais e, aguardar que um governo venha protegê-los por meio de fundos de investimento criados pela captação de impostos e taxas, pode ser meio utópico. Tanto é assim que não vemos empresas deixando para entidades públicas a obrigação de captar dinheiro para suas tesourarias! Ou seja: existe ainda um grupo grande de executivos míopes que não enxerga os efeitos das mudanças climáticas sobre seus negócios e muito menos a importância de lidar com questões ambientais também dentro do seu negócio.

Imagine uma fábrica de refrigerantes que paralisa sua operação por falta de água. Nesse momento, o diretor liga para o Secretário de Águas e Saneamento, informa o ocorrido e pede providências rápidas. Contudo, o Secretário está inaugurando uma obra e demorará pelo menos duas horas para atender ao pedido. Pergunta: quem contará aos acionistas que a empresa está parada a espera de uma solução dessas?

Quando perguntamos aos executivos das empresas no Brasil sobre a necessidade de uma estratégia corporativa para mudanças climáticas, 94% dizem que é muito importante. Mas o que estamos fazendo hoje efetivamente? Ainda pouco. Algumas empresas aproveitaram oportunidades no mercado de carbono e outras usaram o tema para fazer marketing. Mas dificilmente vemos empresas aptas a agir e a lidar com seus impactos ambientais estrategicamente, apesar de existirem excelentes exemplos operacionais. Barack Obama disse recentemente que “as mudanças climáticas constituem um problema que ignoramos para o nosso próprio perigo”.

À primeira vista, é difícil enxergar os efeitos das mudanças climáticas, mas eles são realidade e necessitam de ação. Empresários e executivos precisam ter em mente, nesse momento, duas máximas do mundo corporativo. A primeira é que a perenidade de qualquer empresa depende de investimentos em inovação – e a inovação promoverá as mudanças necessárias para reduzir os efeitos das mudanças climáticas nos próximos anos. A segunda é que líderes se destacam durante períodos de incerteza. Quem deixar de agir neste momento, portanto, desperdiça oportunidades.

Ernesto Cavasin Neto, especialista em sustentabilidade empresarial, é gerente executivo da PricewaterhouseCoopers e membro do conselho da Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Carbono.

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