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Os 3,1 mil metalúrgicos da fábrica da Volkswagen em São José dos Pinhais (PR) completam hoje 28 dias de greve, após recusarem nova proposta apresentada pela montadora

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Os 3,1 mil metalúrgicos da fábrica da Volkswagen em São José dos Pinhais (PR) completam hoje 28 dias de greve, após recusarem nova proposta apresentada pela montadora. No início da paralisação, o presidente da empresa, Thomas Schmall, disse que estava preparado para uma longa batalha. Ontem, a companhia divulgou nota afirmando ver "com preocupação a continuidade do movimento grevista". O modelo Golf, fabricado no Paraná, tem estoque para uma semana de vendas. Para Fox e CrossFox o fôlego é um pouco maior. A oferta de ontem previa R$ 5,2 mil a cada trabalhador como primeira parcela da Participação nos Lucros e Resultados (PLR). A segunda seria decidida em negociação conjunta com trabalhadores das fábricas de São Paulo. Embora a proposta tenha sido aceita pelos metalúrgicos das unidades do ABC, Taubaté e São Carlos, foi recusada no Paraná. O que pesou na rejeição, segundo Jamil Davila, secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, foi a proposta de sete dias adicionais de trabalho (um por mês) e outros dez dias em 2012, caso haja necessidade, para recuperar a produção perdida. "Se não houvesse esse item, talvez tivesse possibilidade de ser aprovado." A recusa em aceitar dias extras de trabalho é uma das dificuldades apontadas pela Volks nas discussões com os paranaenses. Em 2010, enquanto os funcionários de Taubaté trabalharam 36 dias extras e do ABC, 26 dias, em São José dos Pinhais houve jornada extra em apenas um dia. Neste ano, já ocorreram 15 dias extras de trabalho no ABC, 14 em Taubaté e nenhum no Paraná. Os grevistas pedem R$ 12 mil de PLR, sendo R$ 6 mil na primeira parcela, sem atrelar o valor a metas de produção. A Volks oferecia R$ 4,6 mil, mas elevou para R$ 5,2 mil. Para Davila, em termos financeiros, o fato de a empresa apresentar proposta semelhante à de São Paulo significa avanço, pois a equiparação tem sido reivindicada há dez anos. Impasse. "A Volkswagen do Brasil lamenta que a situação não tenha sido resolvida com a proposta apresentada hoje (ontem), e vê com preocupação a continuidade do movimento grevista. A empresa reafirma disposição em buscar, por meio da negociação, solução para o impasse, reiterando a importância de haver a disposição de todos neste mesmo sentido", informou a empresa. Pelas contas do sindicato, já deixaram de ser produzidos 15.390 veículos, equivalentes a R$ 615,6 milhões em faturamento. Um pedido de dissídio coletivo feito pela Volkswagen está em tramitação na Justiça do Trabalho e pode ser apreciado na segunda-feira. A Volkswagen do Paraná é a única montadora que ainda não fechou acordo de PLR. Os 800 funcionários da GM de Mogi das Cruzes (SP) aceitaram na segunda-feira proposta de R$ 7 mil a R$ 8,4 mil, de acordo com cumprimento de metas.

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