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O projeto de produção de gás no pré-sal de Santos não vai priorizar a indústria nacional no fornecimento de bens e serviços. Uma das bandeiras do presidente Lula, a geração de emprego e renda no País, não será perseguida pela Petrobras nesta etapa de desenvolvimento de Tupi e campos vizinhos.

Entendemos que não há condição de definir nível de conteúdo local, afirmou a diretora de Gás e Energia da Petrobras, Graça Foster, sobre a planta de liquefação de gás natural que será construída para flutuar no cluster de Santos, transformando a matéria-prima do estado gasoso para o líquido. A diretora, portanto, não dá garantias de que a Petrobras poderá encomendar bens e serviços no Brasil neste projeto. Inédito no mundo, o processo facilitará o transporte do gás e dispensará a necessidade de gasodutos.

A Petrobras firmou acordo com a inglesa BG, a maior comercializadora de GNL no mundo. A portuguesa Galp e a espanhola Repsol também foram chamadas e terão até dezembro para responder se participarão ou não da sociedade. As quatro empresas são sócias nos primeiros campos do pré-sal em desenvolvimento: Tupi, Carioca, Guará, Iara, Parati e Iracema.

As companhias convidadas para participar da licitação de construção da planta são todas estrangeiras. Graça Foster informou que foram chamadas Modec (japonesa, braço da Mitsui); SBM, empresa com matriz em Mônaco; Saipem, da petroleira italiana Eni; KBR, da gigante americana Halliburton; e a multinacional Technic. A executiva afirmou que a Petrobras está trabalhando com rapidez na definição dos projetos, para que as metas de início de produção do pré-sal sejam cumpridas. Não posso perder o timing.

É confortável para nós termos a BG como sócia, porque tem experiência em liquefação, que a Petrobras não tem, explicou.

Graça e o presidente da BG Brasil, Nelson Silva, reiteraram que o preço do gás natural para os consumidores finais terá de refletir o custo de produção. E isso poderá significar um gás mais caro para a indústria. Existem alternativas ao gás; as indústrias têm que caminhar com as próprias pernas, disse a executiva.

A capacidade de processamento de GNL por meio do novo projeto está prevista para até 14 milhões de metros cúbicos por dia de gás associado. O gás poderá abastecer o mercado interno, com destino aos terminais de regaseificação em Pecém (CE) e na Baía de Guanabara (RJ), operados pela Petrobras, ou ser exportado para outros países.

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