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Petrobras quer definir sociedade com venezuelanos até fim do ano

RIO DE JANEIRO, 30 Mar (Reuters) - A Petrobras espera definir até o fim do ano a sociedade com a estatal venezuelana PDVSA na refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, disse na sexta-feira o diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa.

Encerra no sábado, dia 31 de março, o prazo para que a PDVSA entregue à Petrobras os papéis necessários para a constituição de uma joint venture para controlar a refinaria brasileira.

Mas, segundo Costa, é possível que haja uma nova prorrogação do prazo. Caso ocorra a postergação, será a quinta vez que a estatal venezuelana conseguirá adiamento para entrar na sociedade.

A PDVSA precisa do aval junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de suas garantias que permitam o acesso ao crédito para financiar 40 por cento da refinaria Abreu e Lima.

A empresa não preencheu todos os requisitos junto ao banco e tenta mais prazos para finalizar as contrapartidas. O banco de fomento aprovou um financiamento de 10 bilhões de reais para as obras da refinaria em Pernambuco em 2009, mas o empréstimo foi assumido apenas pela Petrobras.

Com previsão de ser inaugurada no primeiro semestre de 2013, a Abreu e Lima está 60 por cento pronta.

Calcula-se que o valor total do projeto fique em 26 bilhões de reais. Ao longo dos últimos anos, Petrobras e PDVSA vêm discordando do orçamento do projeto.

A parceria entre as duas petrolíferas na refinaria foi celebrada em 2005, antes da descoberta do pré-sal brasileiro, em 2006. Na época, os presidentes Lula e Chávez fecharam o acordo prevendo a utilização de petróleo venezuelano, mais pesado que o brasileiro.

Com a descoberta das reservas nacionais, de melhor qualidade, a sociedade perdeu atratividade para a Petrobras.

O presidente Hugo Chávez e o ministro de Energia, Rafael Ramírez, já disseram que a Venezuela tem o montante necessário para realizar a sua participação, mas "alguns atores e setores" da sociedade brasileira têm dificultado a realização do acordo.

(Reportagem de Leila Coimbra e Rodrigo Viga Gaier)

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