Tamanho do texto

PetroquímicaSuape começou a produzir fios, que hoje são 100% importados; estatal busca sócios para projeto após saída da Vicunha

Máquina de texturização da PetroquímicaSuape produzindo poliéster que será usado na confecção de roupas e tecidos
Clélio Tomaz
Máquina de texturização da PetroquímicaSuape produzindo poliéster que será usado na confecção de roupas e tecidos
Inicialmente motivada a produzir poliéster apenas como minoritária num projeto petroquímico, a Petrobras está se tornando a maior fornecedora do produto no País.

Em fase de testes, a PetroquímicaSuape, em Pernambuco, já começou a produzir fios de poliéster em uma das unidades do complexo. Duas máquinas de texturização, importadas do Japão transformam resina petroquímica em fios. Até o final do ano, serão 64 máquinas, com 380 operadores.

Em construção no complexo industrial de Suape, na cidade de Ipojuca, ao lado da Refinaria Abreu e Lima, a PetroquímicaSuape é formada por três plantas integradas.

Uma produzirá ácido tereftálico purificado (PTA), matéria-prima do poliéster e de outros produtos como a resina formadora da embalagem tipo PET, usada para refrigerantes. As outras duas unidades usarão o PTA como matéria-prima: uma unidade fabricará a resina de PET e a outra, poliéster.

A Petrobras pretende começar a produzir até o final de 2011 cerca de 7,5 mil toneladas de fios de poliéster por mês. O volume representa 45% de todo o consumo nacional.

Paulo Roberto Costa, diretor de Abastecimento da Petrobras, exibe o rolo de poliéster
Clélio Tomaz
Paulo Roberto Costa, diretor de Abastecimento da Petrobras, exibe o rolo de poliéster
Segundo o gerente de produção da Petrobras Ricardo Venâncio, o País hoje importa 100% do que utiliza para a fabricação de roupas e outros produtos a partir do material.

A matéria-prima original é a nafta petroquímica, oriunda do petróleo. O executivo conta que a Petrobras está negociando a venda do produto. "Imagine o ganho de competitividade, sendo o produto nacional".

Sócios

Antes das obras da petroquímica, iniciadas em 2007, o grupo Vicunha, do ramo têxtil, chegou a assinar memorando de entendimento para ser majoritário na unidade produtora de poliéster. Segundo a Petrobras, a empresa desistiu do negócio quando estourou a crise internacional, em 2008.

O diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, afirmou que a estatal já começou a conversar com empresas que podem se tornar parceiras no complexo. O executivo não revela nomes: "Podem ser do setor petroquímico, podem ser do setor têxtil", disse, durante visita de jornalistas às obras da PetroquímicaSuape e da refinaria Abreu e Lima.

Todo o complexo petroquímico de Suape terá capacidade de produção de 700 mil toneladas de PTA por ano; 450 mil toneladas de resina PET e 240 mil toneladas de polímeros e fios. Durante a operação, empreendimento empregará 1,8 mil pessoas diretamente. Na fase de construção, mais de 10 mil trabalhadores participam das obras. O investimento da Petrobras no complexo é da ordem de R$ 5 bilhões.

Petrobras prepara blitz marítima para atender pré-sal

Leia todas as matérias sobre Petrobras

Petrobras: calote de Hugo Chávez tem lado bom