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Venda da Parmalat para o grupo francês Lactalis enfrenta forte resistência na Itália, mas premier diz que espera colaboração

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy
Getty Images
O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy
O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, afirmou que não considera a proposta de compra do grupo italiano Parmalat pela multinacional francesa Lactalis como uma “oferta hostil", segundo  informaram hoje os jornais italianos.

A posição foi interpretada como um sinal de que a Itália está mais maleável em relação à venda da Parmalat, considerada uma empresa estratégica para a indústria de alimentos do país.    

O premier italiano faz as declarações após uma reunião com o presidente francês Nicolas Sarkozy, em Roma, e afirmou ser “notável” que a oferta de compra tenha coincidido com uma reunião de cúpula entre a Itália e a França.

Mas Berlusconi acrescentou que espera que os franceses aceitem a colaboração dos sócios italianos. “Esperamos que seja possível estabelecer um acordo com a participação italiana na Lactalis”.


O grupo francês Lactalis, que já possui 29% das ações da Parmalat, lançou nesta terça-feira uma oferta pública de compra da totalidade do capital do grupo alimentício, ou dos 71% restantes das ações da companhia italiana, que é listada na bolsa de Milão.

A Lactalis comunicou que a aquisição das ações será financiada por quatro bancos: Credit Agricole, HSBC, Natixis e Société Générale.

O grupo francês ofereceu aos acionistas da Parmalat  pagar 2,60 euros (US$ 3,7 dólares) por ação da companhia, o que equivaleria a um desembolso total de 3,375 bilhões de euros (US$ 4,912 bilhões). A oferta feita pelos franceses representa um ágio de 21% sobre o valor das ações da Parmalat nos últimos 12 meses.

Resistência italiana

No entanto, banqueiros italianos e o próprio governo da Itália estudam uma maneira de bloquear a aquisição da Parmalat por uma companhia estrangeira, segundo as agência internacionais.

O governo italiano também já havia pressionado a Fiat. Há temores de que a sede da montadora italiana seja transferida para o Estados Unidos após a fusão com a Chrysler.

A direção da Lactalis disse que manteria a sede da empresa na Itália e que consideraria transferir alguns de seus negócios na França e na Espanha ligados ao processamento de leite para a companhia italiana.

“Temos um ambicioso plano de crescimento para a Parmalat: fazer do grupo uma referência mundial no setor do leite, com sede, organização e gestão na Itália", afirmou o presidente do grupo Lactalis, Besnier Emmanuel.