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Ainda neste ano, ministério da Cultura quer instalar casas para interlocução entre artistas nos grandes centros urbanos

A agenda de trabalho da futura secretaria de Economia Criativa do Ministério da Cultura é bastante ousada, principalmente partindo-se do princípio de esta ser uma pasta com recursos bastante restritos. A despeito dos desafios, a secretária Claudia Leitão quer criar ainda neste ano os Criativas Birôs, que funcionarão como centros de desenvolvimento e interlocução de artistas e produtores de cultura em geral nas diversas cidades brasileiras. Seriam casas que, com apoio do Estado, oferecem apoio ao empreendedor em produção, distribuição em consumo, diz.

Pelourinho, em Salvador (BA), é candidato a ganhar nova estrutura
Divulgação
Pelourinho, em Salvador (BA), é candidato a ganhar nova estrutura
Ela quer começar por grandes centros urbanos, por exemplo, dando estímulos para a recuperação de regiões relativamente degradadas, como a praia de Iracema, no em Fortaleza (CE), no Pelourinho, em Salvador (BA) e o Recife Antigo, na capital pernambucana. Claudia diz que já promoveu projeto similar ao Criativa Birô no Ceará, quando foi secretária estadual de Cultura, na década passada.

Com o orçamento bastante restrito do MinC, Claudia pensa em firmar parcerias com Estados e municípios para receber deles doações de espaço e funcionários para instalar os criativa birôs. Também já foram procuradas entidades do sistema S, como Sesc e Senac, para colaborar com o projeto.

O desafio do MinC é enorme, principalmente porque passa pela elaboração e proposição de um Projeto de Lei, que determinará o que são, exatamente, economias criativas. “Temos que entender os modelos de negócios. As leis e o Direito ficaram para trás dessa transformação”, diz Claudia.

No dia 28, o MinC já organizará o Seminário de Economia Criativa. O MinC prepara para até agosto um planejamento estratégico para a atuação da Secretaria de Economia Criativa, que, em perspectiva mais otimista, deverá ser formalmente implantada apenas em meados de setembro. Até lá, a estrutura burocrática usada por Claudia Leitão é a Secretaria de Economia Criativa.

Empréstimos para ideias

Segundo Claudia, também é preciso educar nossas instituições de fomento para oferecer empréstimos ao profissional criativo, como um músico que quer fazer o seu primeiro CD. Você pode ter uma linha de crédito para ele, mas a instituição não entende o risco dele, diz. “É como se houvesse um fosso entre o gerente e esse profissional. Mas esse profissional não tem o risco que se imagina que ele tenha, é parecido com a do profissional tradicional.”

Bancos regionais já têm linhas de crédito, como Banco do Nordeste, já possuem linhas específicas, diz Claudia, mas que são pouco conhecidas dos artistas.

Nas próximas semanas, a Petrobras também deverá lançar um pacote de editais para apoiar a produção cultural e, entre os beneficiados, espera-se que haja já recursos de valor mínimo bastante baixo para a Economia Criativa.

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