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A TAM transporta quase o dobro do número de passageiros da LAN e faturou 33% a mais no ano passado - mesmo assim, quando a fusão foi anunciada, a brasileira valia cerca de um terço da companhia chilena na bolsa

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A TAM transporta quase o dobro do número de passageiros da LAN e faturou 33% a mais no ano passado - mesmo assim, quando a fusão foi anunciada, a brasileira valia cerca de um terço da companhia chilena na bolsa. "A TAM é uma empresa mais alavancada que a LAN e os credores ficam com boa parte do resultado da empresa. Além disso, a rentabilidade da chilena é maior", diz o analista Caio Dias, do banco Santander. "O valor de uma empresa na bolsa é medido não pelo seu tamanho, mas pelo resultado deixado para o acionista." No ano passado, a margem de lucro da operação da LAN foi de 12%, contra 2% da TAM. Esses dados refletem o fato de que a LAN consegue cobrar preços mais altos com custos mais controlados. Isso não significa, porém, que, com a fusão, os resultados da TAM vão se igualar aos da chilena. O ambiente e o modelo de negócios dessas companhias contribuem para os números diferentes. Para começar, o mercado de aviação doméstico brasileiro - principal fonte de receita da TAM - é mais competitivo que o enfrentado pela LAN no Chile, no Equador e no Peru. Enquanto nesses países a chilena lidera com folga, por aqui a Gol possui quase metade do mercado. No caso da LAN, a maior parte da receita tem origem nos voos internacionais - em que, tradicionalmente, a taxa de ocupação das aeronaves é maior. Além disso, o serviço da chilena para países da Europa é reconhecido como de alta qualidade, o que permite que a empresa cobre tarifas semelhantes às de companhias europeias. A LAN também tem uma exposição maior ao transporte de cargas, que se recuperou mais rapidamente da crise financeira global. "Como são cenários distintos, acredito que a TAM até pode ganhar eficiência com a fusão, mas não a ponto de igualar seus resultados aos da LAN", diz Dias. A grande vantagem da fusão, segundo analistas, está nas sinergias que devem atingir US$ 400 milhões. Quando passarem a operar juntas, as empresas terão maior poder de barganha para comprar aeronaves e terão acesso a empréstimos mais baratos, por exemplo. Mas isso só se a junção de duas culturas tão diferentes for bem-sucedida. "Nesse estágio, o maior risco para a transação está na probabilidade de as sinergias acontecerem", diz relatório do banco Credit Suisse. "A cooperação será um elemento chave para capturar essas economias. Como as duas empresas continuarão a existir como entidades separadas e o controle da gestão será dividido entre dois acionistas, não podemos excluir potenciais desacordos entre os dois lados, o que poderia ser prejudicial para o negócio." As informações são de O Estado de S. Paulo

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