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Presidente da Vale diz que a estratégia da mineradora será o crescimento orgânico e não o caminho das aquisições

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O presidente da Vale, Roger Agnelli, afirmou que a empresa pode dobrar de tamanho em quatro a cinco anos. A estratégia será o crescimento orgânico e não o caminho das aquisições, já que a empresa possui uma série de projetos em desenvolvimento. Segundo ele, a maior parte dos investimentos, ou quase 70%, será feita no Brasil.

O objetivo é avançar na produção de minério de ferro e fertilizantes e terminar os projetos já iniciados na área de cobre.

A companhia tem iniciativas em diversos países, como Argentina, Canadá e nações da África. Agnelli disse que, nos próximos anos, será presenciado o nascimento de uma "nova Vale", quase do mesmo tamanho da atual, com enormes projetos ao redor do mundo.

"Estamos investindo pesado, temos recursos e reservas", afirmou. Para o executivo, o maior desafio da empresa no momento é a falta da mão de obra qualificada. "Esse é o nosso gargalo." A empresa também aposta em projetos de energia renovável, com destaque para o óleo de palma e a biomassa. Ele acredita que esse é o futuro da indústria, pois "o petróleo pode estar ficando velho".

China

O presidente da Vale não vê grande impacto da alta dos juros da China sobre o setor de minério de ferro. "Não enxergo grande mudança na tendência e a demanda seguirá forte", afirmou hoje, durante entrevista à imprensa na Euronext, em Londres.

Ele acredita que o principal condutor da procura chinesa por commodities (matérias-primas) é o investimento em infraestrutura. Para Agnelli, a decisão do governo chinês foi acertada e representou uma medida para esfriar a especulação no mercado imobiliário.

O presidente da Vale lembrou que a população da China, embora com alto nível de poupança, não tem muitas opções de investimento e parte para a aquisição de imóveis. Agnelli reforçou sua aposta no crescimento da Ásia e disse que a China não é uma bolha, ao contrário do que acreditam alguns homens de negócios.

"Eles sabem o que estão fazendo e têm estratégia." O executivo vê uma mudança no cenário geopolítico mundial, já que a Ásia está ganhando importância. Ele acredita que o continente vai liderar o crescimento global e também vê perspectiva positivas para a América Latina, principalmente no Brasil, na África e no Oriente Médio. "A África será um continente completamente diferente em cinco a dez anos", afirmou. Em contrapartida, Agnelli acredita que a recuperação na Europa e nos Estados Unidos não será forte.

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