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Para presidente dos EUA, companhias petroleiras "podem se manter por si mesmas" e não precisam de benefícios fiscais

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu nesta quinta-feira ao Congresso que aprove com urgência um projeto de lei para eliminar os benefícios fiscais de US$ 24 bilhões recebidos pelas companhias petrolíferas que, segundo ele "podem se manter por si mesmas".

Além de terem "lucro recorde", essas companhias recebem "bilhões de dólares anualmente em subsídios dos contribuintes, uma receita que aproveitaram ano após ano no último século", ressaltou Obama em discurso no jardim da Casa Branca. "Pensem nisso. É como bater duas vezes no povo americano", disse o governante em referência à alta do preço da gasolina no país. O Senado deve realizar nesta quinta uma votação de procedimento sobre um projeto de lei que visa eliminar esses subsídios fiscais que beneficiam as companhias petrolíferas.

Os republicanos, que são minoria no Senado, se opõem ao corte dos subsídios. O presidente enfatizou que no ano passado as três maiores empresas petrolíferas do país tiveram lucro de mais de US$ 80 bilhões, e que cada vez que a gasolina sobe um centavo, essas companhias embolsam US$ 200 milhões em seus lucros trimestrais. Atualmente, o preço médio do galão (3,78 litros) de gasolina nos EUA gira em torno de US$ 4.

Esse encarecimento da gasolina afeta sobretudo a classe média e, em plena campanha para as eleições presidenciais de 6 de novembro, os republicanos reprovam Obama por não conseguir pará-lo. Por isso, o presidente teve como foco nas últimas semanas defender em atos de campanha e em várias excursões pelo país sua política energética, voltada para o desenvolvimento das energias limpas e o aumento da produção nacional de petróleo para reduzir a dependência do exterior.

"Com recorde de lucro e aumento na produção, não estou preocupado com as grandes companhias petrolíferas. Com os altos preços do petróleo, elas têm incentivos mais que suficientes para produzir mais", insistiu Obama. Ao invés de continuar dando "presentes" a uma indústria "que nunca foi tão rentável", é preciso investir em energias limpas, "que nunca foram tão promissoras", destacou.

"Não quero que os americanos paguem mais nas bombas (de gasolina) cada vez que houver distúrbios no Oriente Médio. Não quero que nossas crianças sejam reféns dos eventos do outro lado do mundo", afirmou. Segundo Obama, o Congresso deve "optar entre gastar bilhões de dólares em subsídios petrolíferos que mantêm o país preso no passado" ou dar fim a essa verba e "investir no futuro".

O projeto de lei que será submetido hoje a uma votação de procedimento no Senado, promovido pelo democrata Robert Menéndez, propõe eliminar US$ 24 bilhões em deduções fiscais às petrolíferas.

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