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União da MPX com a alemã E.ON terá capacidade de geração de 20.000 megawatts, ou 20% da atual capacidade de geração do Brasil

MPX Energia, de Eike Batista, anuncia joint-venture com alemã E.ON
Getty Images
MPX Energia, de Eike Batista, anuncia joint-venture com alemã E.ON
A empresa de energia MPX, de Eike Batista, confirmou nesta quarta-feira a formação de uma joint venture com a alemã E.ON , que formará a maior empresa privada de energia do Brasil.

A expectativa é de que a aliança produza uma empresa com capacidade de geração de 20.000 MW de energia, o que representa cerca de 20% da atual capacidade total do Brasil, segundo a MPX.

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Esse potencial, no entanto, só deve ser alcançado no médio prazo. Isso porque a expansão da capacidade de geração de energia depende de licenças ambientais, leilões de energia feitos pelo governo, além do tempo para construção de novas usinas, avalia Rafael Andreta, analista da corretora Planner.

Atualmente, a maior empresa privada de geração de energia é a Tractebel, que tem capacidade instalada de 7.145 megawatts (o dado considera as usinas em operação) e deve adicionar em breve cerca de 1.000 megawatts a seu potencial. Enquanto isso, a MPX possui total de 3.000 megawatts de capacidade instalada. Além disso, a empresa de Eike Batista tem um potencial de mais 14.000 megawatts, que ainda depende de licenças ambientais, diz o analista.

Considerando o ranking geral do setor elétrico, a joint venture formada pela MPX e E.ON deve se tornar a segunda maior geradora de energia do Brasil, atrás apenas da estatal Eletrobras. As empresas do grupo são responsáveis por 42.302 megawatts, com destaque para a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (CHESF), que sozinha tem capacidade para 10.615 megawatts.

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Pelo acordo anunciado hoje, a MPX vai levantar R$ 1 bilhão por meio de aumento de capital, no qual a E.ON vai participar com cerca de R$ 850 milhões. Com o investimento, a elétrica alemã terá participação de 10% na empresa de energia do conglomerado controlado por Eike Batista.

A joint-venture em partes iguais "será o único veículo de investimento para novos projetos de energia de ambas as companhias no Brasil e no Chile e será responsável pelo desenvolvimento, execução e operação de empreendimentos de energia térmica e renovável nestes países, além de todas as atividades de suprimento e comercialização", informa a MPX.

"Do ponto de vista operacional, no longo prazo o acordo é muito positivo", diz Andreata. "A E.ON é líder na Europa, muito forte em gás e energia renovável, áreas de muito interesse para a MPX", afirma. Além da experiência no setor, o analista acredita que a união com uma empresa do porte da E.ON também pode facilitar ainda mais o acesso da MPX a financiamentos no mercado internacional.

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Para formar o novo empreendimento da dupla, a MPX entregará à joint-venture 50% de sua carteira de empreendimentos térmicos sem contrato de compra e venda de energia e a E.ON terá opção de comprar participação adicional no projeto de energia no Porto de Açu, que está sendo erguido no Rio de Janeiro.

A joint-venture também reunirá atividades de suprimento e comercialização da MPX e os projetos de energia renovável da empresa de Batista. As usinas térmicas têm capacidade total de 10,35 GW, enquanto os projetos de energia renovável são de fonte solar (5 MW) e eólica (113 MW).

Para permitir que a joint-venture acelere a implementação da carteira de projetos, "E.ON e MPX vão, caso a caso, analisar a possibilidade de pré-financiamento pela E.ON da porção de capital próprio da MPX".

Parte do plano de aliança das duas empresas, a MPX fará cisão de ativos de mineração de carvão na Colômbia, criando uma nova empresa, a CCX, que será listada no Novo Mercado da BM&FBovespa.

Esta nova empresa receberá R$ 814 milhões em caixa da MPX e os acionistas da MPX receberão um papel da CCX para cada ação da MPX que detiverem. Essa cisão ocorrerá com conversão de debêntures em ações ordinárias.

(Com Reuters - Atualizada às 15h30)

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