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Aumento de renda da população e crédito imobiliário puxam o resultado

A MRV Engenharia apurou um aumento de 19,8% no lucro líquido de 2011, para R$ 760 milhões, apoiada na combinação entre demanda forte, aumento de renda da população e oferta de crédito imobiliário.

No último trimestre do ano isoladamente, o lucro atingiu R$ 209 milhões, alta de 37,5% ano a ano, enquanto na comparação com os três meses anteriores ficou inalterado.

O resultado também ficou praticamente em linha com a média das previsões de seis analistas obtidas pela Reuters, que apontava ganho de R$ 201,5 milhões.

"Enquanto a maioria das empresas está voltada às classes média e média-alta, mantemos o foco no segmento econômico", disse à Reuters nesta quarta-feira o vice-presidente financeiro da MRV, Leonardo Corrêa. "Mesmo com a desaceleração (do setor), a demanda nas classes mais baixas ainda é mais forte que nos demais segmentos".

A geração de caixa operacional da companhia, medida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), foi de R$ 287 milhões nos três meses até dezembro, alta anual de 53%, mas 4,7% menor ante o terceiro trimestre, quando a margem bruta foi maior.

A margem Ebitda, por sua vez, subiu de 21,6 para 24,6% no quarto trimestre, encerrando o ano em 26%.
A MRV manteve a estimativa de margem Ebitda entre 24 e 28% para este ano.

Já a receita líquida da construtora mineira cresceu 35% de outubro a dezembro, a R$ 1,168 bilhão, enquanto no ano a alta foi de 33%, para R$ 4 bilhões.

A companhia já havia informado que no quarto trimestre as vendas subiram 25%, para R$ 1,44 bilhão, e que os lançamentos ficaram em R$ 1,39 bilhão, queda anual de 25%.

No ano como um todo, as vendas foram de R$ 4,32 bilhões, alta de 15% ante 2010 e ligeiramente acima do piso da estimativa anual traçada pela empresa, de 4,3 bilhões a R$ 4,7 bilhões. O volume lançado em 2011 aumentou apenas 1%, a R$ 4,63 bilhões.

"Vamos ter expansão dos lançamentos em relação a 2011", afirmou Corrêa, acrescentando que o ritmo mais forte deve ocorrer a partir do segundo trimestre.

A MRV espera alcançar em 2012 vendas contratadas de R$ 4,5 bilhões a R$ 5,5 bilhões, o que equivale a um aumento de cerca de 15,7% ante 2011, se considerado o ponto médio da meta.

"Para atingir o 'guidance' de vendas temos que ter expansão maior dos lançamentos", assinalou o executivo.
Em decorrência do maior volume de lançamentos este ano, Corrêa prevê um nível menor de velocidade de vendas, medida pela relação de venda sobre oferta.

Após cair de 32 para 29% no quarto trimestre, o indicador deve ficar "acima de 20, mas abaixo de 29%" em 2012, segundo o executivo.

"O setor está iniciando um ciclo de estabilidade, em que a taxa de crescimento não é tão forte... mas as perspectivas estão melhores do que antes, apoiadas no cenário macroeconômico", disse ele.

Em dezembro, o estoque a valor de mercado da empresa totalizava R$ 3,74 bilhões, equivalentes a 2,6 trimestres de vendas. Já o banco de terrenos tinha potencial para vendas de R$ 17 bilhões.

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