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SÃO PAULO - Para manter o atual sistema de energia, será necessário aumentar os investimentos no setor em 6% ao ano, segundo cálculos da agência de classificação de risco Moody's

. A projeção considera expansão média de 5% ao ano da economia brasileira a partir de 2011. Apesar da exigência de amplos investimentos, a Moody's considera baixa a probabilidade de um novo apagão. "Já estão sendo feitos investimentos no setor e ainda há espaço para a realização de novos leilões de energia", afirma José Soares, vice-presidente sênior da Moody's. Uma questão que tem preocupado os investidores, segundo Soares, é o vencimento das concessões a partir de 2015. "Acredito que, de alguma forma, essas licenças serão renovadas", diz. Um dos maiores gargalos para investimentos em infraestrutura no Brasil, avalia Soraes, é a taxa básica de juros, que "está baixa se comparada a anos anteriores, mas é alta em relação à praticada por outros países". Além disso, Soares chama a atenção para o descasamento de prazos nos projetos. "As obras são de longo prazo e o crédito, de curto", diz. Mesmo com entraves, a avaliação da Moody's é que a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 sustentarão os investimentos no país nos próximos anos. Financiamentos Cerca de 60% dos financiamentos a obras de infraestrutura, de acordo com Soraes, são concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). "Isso se deve à fonte de recursos relativamente barata - o FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) - o que permite a oferta de crédito a juros abaixo dos de mercado", afirma Soraes. O vice-presidente da Moody's ressalta entretanto que esse modelo não é sustentável a longo prazo. "O BNDES e o governo não possuem recursos para manter o aumento dos empréstimos por muito tempo", diz. Em 2007, os créditos do BNDES representavam 6,6% do PIB. Agora, correspondem a quase 10%. "O BNDES é fundamental para a expansão do país, mas há a questão do impacto fiscal", ressalta Soares. (Francine De Lorenzo | Valor)

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