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Asiáticos podem pagar US$ 2 bilhões para ter 20% de projeto de exploração petróleo na Bacia de Campos, segundo jornal chinês

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As estatais chinesas Sinopec e CNOOC negociam separadamente com a brasileira OGX, de Eike Batista, participação de 20% em projeto de exploração de petróleo na Bacia de Campos, segundo reportagem publicada na terça-feira pelo 21st Century Business Herald, um dos mais importantes jornais econômicos da China. Segundo fontes do mercado, tratam-se das duas únicas interessadas no negócio, que pode envolver valores em torno dos US$ 2 bilhões.

"A OGX tem demonstrado sucesso, mas as reservas ali são de óleo pesado, o que gera muitas dúvidas sobre seu potencial", diz uma fonte. As companhias chinesas, porém, têm procurado insistentemente novas reservas no exterior, para garantir o suprimento futuro de petróleo ao país asiático. Em maio, a estatal Sinochem pagou US$ 3,07 bilhões por 40% do Campo Peregrino, no maior investimento chinês no País até hoje.

Pertencente à norueguesa Statoil, a área também está na Bacia de Campos. Sinopec e CNOOC estaria avaliando os ativos da OGX há pelo menos um mês, tendo inclusive visitado a região, que hoje tem grande atividade exploratória. O último laudo divulgado pela OGX aponta para reservas entre 2,6 bilhões e 5,5 bilhões de barris nas sete concessões da empresa no local. Fonte do 21st Century Business Herald disse que há divergências sobre a avaliação do negócio, mas não revelou os valores envolvidos. Não está claro se a Sinopec e a CNOOC competem entre si ou se pretendem dividir a eventual participação no campo da OGX.

Procuradas, OGX, Sinopec e CNOOC não se manifestaram sobre o assunto.

O setor de petróleo é um dos mais estratégicos para a China, segundo maior consumidor e importador do produto do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Em 2009, o país importou 52% do petróleo que consumiu e a previsão do governo é que o índice chegará a 65% até 2020. Com os investimentos no Brasil, Pequim busca diversificar suas fontes de fornecimento e reduzir a dependência do Oriente Médio, que responde por mais de 40% de suas importações. No ano passado, o China Development Bank (CDB) concedeu financiamento de US$ 10 bilhões à Petrobras, que teve como garantia um contrato de fornecimento de petróleo.

O primeiro saque de recursos por parte da Petrobras ocorreu em dezembro, o que deu início à venda de petróleo à China - 150 mil barris/dia no primeiro ano e 200 mil barris/dia nos nove anos subsequentes. A China é o segundo maior destino das exportações da Petrobras, atrás apenas dos EUA. Segundo Marcelo Castilho, representante da estatal em Pequim, os embarques ao país asiático devem fechar 2010 em pouco mais de US$ 3 bilhões, e chegar a US$ 4 bilhões no próximo ano.

A China tinha no fim do ano passado investimentos de US$ 254 milhões no Brasil, o equivalente a 0,1% do total investido. A situação mudou de maneira radical em 2010, com projetos que somam mais de US$ 11 bilhões. Além do petróleo, os investimentos ocorrem em setores como energia, siderurgia, mineração, agricultura, automobilístico e máquinas.

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