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Em 10 anos, as energias renováveis responderão por 46,3% do total da matriz energética, contra os atuais 44,8%

O Plano Decenal de Expansão de Energia 2020 (PDE 2020) prevê investimentos totais de R$ 1,019 trilhão até 2020 em todo o setor de energia do Brasil. Desse total, R$ 686 bilhões serão investidos pela cadeia de petróleo e gás natural, com R$ 236 bilhões pelo setor de energia elétrica e R$ 97 bilhões pelo segmento de biocombustíveis líquidos.

Os dados, divulgados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), englobam ainda um aumento da produção total de energia no país dos atuais 270,6 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (TEP) para 439,7 milhões de TEP em 2020, um aumento de 62,49%.

Do total de R$ 1,019 trilhão, a EPE estima que a Petrobras responderá por pouco menos da metade, com participação de cerca de 70% nos aportes de R$ 686 bilhões em óleo e gás. Dentro desse segmento, a exploração e produção de petróleo e gás natural receberá R$ 510 bilhões, metade do que será destinado ao setor de energia no país até 2020. A oferta de derivados de petróleo receberá R$ 167 bilhões e a oferta de gás natural ficará com outros R$ 9 bilhões.

No segmento de energia elétrica, a geração ficará com R$ 190 bilhões, enquanto a transmissão receberá outros R$ 46 bilhões.

Por fim, dos R$ 97 bilhões para a oferta de biocombustíveis líquidos, as usinas de produção de etanol receberão R$ 90 bilhões, a infraestrutura dutoviária e portuária ficará com R$ 7 bilhões e as usinas de produção de biodiesel receberão investimentos de R$ 200 milhões.

Ao final de 2020, as energias renováveis responderão por 46,3% do total da matriz energética, contra os atuais 44,8%. O crescimento acontecerá graças ao avanço dos derivados da cana-de-açúcar, que passarão de 17,7% da matriz em 2010 para 21,8% em 2020, enquanto a energia hidráulica passará de 14,2% para 12,5%.

Do lado das não renováveis, o petróleo e derivados vão reduzir a participação de 38,5% no ano passado para 31,8% em 2020. Em compensação, o gás natural saltará de 10,2% para 14,4%. O presidente da EPE, Maurício Tolmasquim, lembrou que a descoberta do pré-sal representou uma mudança significativa no planejamento energético do país, uma vez que o insumo deverá ficar mais barato e com quantidades cada vez mais relevantes à disposição.

A expectativa da instituição é de uma sobra de gás de pelo menos 24 milhões de metros cúbicos diários em 2020, um volume que pode chegar a 66 milhões de metros cúbicos por dia quando o despacho das usinas termelétricas a gás não estiver no pico. "O desafio da Petrobras será encontrar um mercado secundário para os 42 milhões de metros cúbicos diários que sobram na demanda estimada para as térmicas", frisou Tolmasquim.

Pelo estudo da EPE, o mercado não termelétrico do gás natural saltará dos atuais 58 milhões de metros cúbicos por dia para 114 milhões de metros cúbicos por dia em 2020, enquanto a demanda média para as térmicas saltará de 8 milhões de metros cúbicos por dia para 13 milhões de metros cúbicos diários em 2020.

No total, a demanda térmica no pico, que hoje está em 40 milhões de metros cúbicos por dia, pulará para 55 milhões de metros cúbicos diários. A sobra média, que é de 11 milhões de metros cúbicos hoje, será de 24 milhões de metros cúbicos em 2020.

Em termos de oferta, a malha integrada de gasodutos do país, que exclui a Região Norte, deverá ofertar 193 milhões de metros cúbicos por dia em 2020. Já a produção de petróleo deverá atingir 6,1 milhões de barris de óleo por dia em 2020, contra os atuais 2,3 milhões de barris - volume que corresponde a todas as empresas e não apenas à Petrobras. Com isso, o excedente de petróleo estimado pela EPE no país em 2020 e que deverá ser destinado à exportação será de 3,2 milhões de barris por dia.

O crescimento da produção de petróleo deverá ser acompanhada pela evolução do parque de refino, que, segundo a EPE, deverá processar 3,505 milhões de barris diários, contra os atuais 2,041 milhões de barris por dia, num aumento de 1,464 milhão de barris diários. A EPE prevê, desta forma, que a balança de derivados passará do atual déficit de 410 mil barris por dia para um superávit de 320 mil barris diários. No caso do diesel a curva se inverterá em 2014 e o déficit de 28 mil metros cúbicos por dia passará a um superávit de 37 mil metros cúbicos por dia em 2020.

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