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Distribuidora de energia do Pará deve R$ 1 bilh]ao a bancos e R$ 600 milhões a Eletrobras

A recuperação financeira e a sobrevivência da distribuidora de energia paraense Celpa está nas mãos de credores da companhia, avaliam especialistas. As principais dívidas da empresa, que é controlada pelo Grupo Rede Energia e encontra-se em processo de recuperação judicial, são com a Eletrobras, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e outras instituições financeiras.

A Justiça do Estado do Pará publicou edital, em 8 de março, convocando todos os credores da empresa a apresentarem em 15 dias a declaração do crédito que lhes é devido pela Celpa. Segundo o documento, a Eletrobras teria pelo menos perto de R$ 600 milhões a receber da empresa paraense, considerando também o que é devido às subsidiárias da estatal.

A Celpa tem ainda uma dívida de cerca de R$ 1 bilhão com bancos.

O maior credor entre instituições financeiras é o BNDES, com R$ 235,3 milhões. Outros R$ 141,5 milhões são com o Bradesco, R$ 87,1 milhões com o Itaú BBA (banco de atacado do Itaú Unibanco), R$ 123,9 milhões com o Banco da Amazônia e R$ 76,1 milhões com o Banco do Brasil.

Além disso, investidores representados pelo Bank of New York Mellon teriam R$ 443,6 milhões a receber. Os valores foram apresentados pela Celpa e ainda podem mudar, de acordo com a contestação dos credores.

Para um executivo do setor elétrico, será inevitável que os credores abram mão do pagamento de parcela das dívidas, já que um caso extremo de falência da Celpa provavelmente implicaria na perda de todo o valor do principal emprestado à companhia.

"Vai ser uma solução assim: cada um paga um pedaço da conta... Ali a tendência é (intervenção do) governo e participação da Eletrobras", disse a fonte, que falou sob condição de anonimato.

"Pode ser uma solução como a da Cemar, mas mesmo no caso da Cemar a Eletrobras entrou", acrescentou, referindo-se à distribuidora de energia do Maranhão.

Privatizada em 2000, a Cemar passou por problemas financeiros até a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decretar intervenção em 2002. A própria agência coordenou o processo de alienação da empresa, que atualmente é controlada pela Equatorial Energia.

Prazos

A Celpa entrou com pedido de recuperação judicial em 28 de fevereiro. A empresa é uma das mais problemáticas do Grupo Rede Energia, que tem dívida consolidada ao redor de R$ 6 bilhões e teve seu controle colocado à venda pelo empresário Jorge Queiroz Jr.

Diferentemente do antigo processo de concordata, que para alguns advogados muitas vezes era um processo pré-falimentar, na recuperação judicial os credores dão o tom à reorganização da empresa e deles depende a possibilidade de a companhia continuar existindo.

"Na concordata, o dono a empresa continuava com as negociações. O destino da empresa agora está com os credores. Não é mais o dono que dá o tom da recuperação", explicou o advogado Marcos Chaves Ladeira, do Pinheiro Neto.

A Celpa tem um prazo de 60 dias para apresentar um plano de recuperação -que já começa a ser negociado com os credores-, contados a partir da aprovação do pedido de recuperação, em 1o de março.

Depois há um período de 180 dias para negociação das dívidas. Após esse prazo, se não houver renegociação, a empresa é declarada falida.

O analista Gabriel Salas, do JPMorgan, não considera que a Celpa chegará à falência. "Todos farão de tudo que estiver ao alcance para evitar a quebra da empresa", disse.

Como a Eletrobras é uma das maiores credoras da Celpa e já tem 34 por cento do capital da empresa, o cenário mais provável para o analista do JPMorgan é que a estatal assuma a concessionária paraense ou interfira de alguma forma.

"Uma virada de recuperação operacional e financeira é tão complicada que não vejo a empresa sendo assumida por uma empresa privada", disse Salas. O governo federal, no entanto, tem negado que a Eletrobras venha a assumir o controle da Celpa.

Devolução da concessão?

O processo de recuperação judicial da Celpa acontece no mesmo momento em que a Aneel dá o primeiro passo em um procedimento que pode levar à caducidade da concessão da empresa.

Caso a caducidade seja declarada, a Aneel poderá nomear um interventor e, posteriormente, a concessão pode ser relicitada.

"O pior cenário seria tirar a concessão em um processo de recuperação judicial", disse o administrador judicial no processo da Celpa, Mauro Santos, à Reuters, que acredita ser pouco provável que isso aconteça, pelo menos enquanto o plano de reestruturação estiver sendo preparado.

A Aneel também estabeleceu um prazo de 60 dias para que a empresa paraense apresente um relatório com propostas para a correção das falhas e melhoria dos serviços prestados aos consumidores no Pará, onde a Celpa atende aos 143 municípios do Pará.

Paralelamente, o Ministério Público acatou pedido para abertura de inquérito sobre as causas da insolvência financeira da Celpa, conforme solicitação do deputado federal Cláudio Puty (PT-PA), que considera que a distribuidora tinha uma situação financeira boa quando foi assumida pelo Grupo Rede Energia.

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