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Companhia procura oportunidades nos três segmentos do setor de energia: transmissão, geração e distribuição

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Após fechar a aquisição, por R$ 1,1 bilhão , de cinco ativos de transmissão da espanhola Abengoa, por meio da controlada Taesa, a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) reiterou nesta sexta-feira sua disposição de participar agressivamente do processo de consolidação do mercado de energia. Durante encontro anual da empresa com analistas de mercado, o presidente da estatal mineira, Djalma Morais, deixou claro que a empresa analisa outros ativos que possam agregar valor ao grupo nos três segmentos: transmissão, geração e distribuição.

Segundo ele, a companhia contratou uma consultoria financeira e aguarda um parecer para avaliar a viabilidade da aquisição da Centrais Elétricas de Goiás (Celg). Na busca por eficiência, escala e redução de custos, a Cemig persegue uma participação de 20% nas três áreas de atuação. Atualmente, conforme o diretor de finanças e relações com investidores, Luiz Fernando Rolla, a empresa possui uma fatia de 13% na distribuição e entre 6% e 7% no mercado nacional de geração. Com a compra dos ativos da Abengoa, a participação no segmento de transmissão chegará a quase 12%.

"O mercado é muito grande aqui no Brasil e tem oportunidades tanto em geração, quanto em transmissão e distribuição. Hoje, o número de participantes do mercado é muito grande em qualquer dos três segmentos a escala é um fator importante na captura de ganho e na redução de custo", destacou Rolla.

Segundo os dirigentes da Cemig, a Taesa desembolsou recursos próprios, por meio também do Fundo de Investimentos em Participações Coliseu (com 38,59% de participação no capital social da empresa), para adquirir 50% de participação na Abengoa Participações Holding, que opera no País as transmissoras STE, ATE, ATE II e ATE III. Pelos termos do acordo, a Taesa - criada a partir da compra pela Cemig da italiana Terna Participações - irá deter também 100% da transmissora NTE. "A Cemig vai focar em todo e qualquer ativo na área de transmissão, geração e distribuição que venha agregar valor", reforçou Morais.

"Mesmo que a gente não tenha esse quantitativo necessário para a aquisição, nós vamos ao mercado e adquirimos esse dinheiro; ou através da rede bancária ou através de um fundo. Não existe um dinheiro separado para aquisições, existe um planejamento." No caso da Celg, observou o executivo, o governo de Minas Gerais decidiu entregar a um "ente financeiro" a verificação do valor exato do ativo.

A negociação enfrentou resistência porque a estatal goiana teria dívidas acumuladas na casa dos R$ 5 bilhões. Para um acordo, a Cemig, segundo fontes, teria de aportar recursos da ordem de R$ 1 bilhão na companhia. "Caso isso seja viável, voltaremos a conversar", disse Morais.

Números

A Cemig informou que com a operação envolvendo a Abengoa, a Taesa se consolida como a maior transmissora privada com contratos do Novo Modelo, que são os outorgados a partir de 2000, com duração de 30 anos. Considerando-se os números de 2010, a previsão é que o Ebitda da empresa aumente em mais de R$ 200 milhões. O retorno esperado é de 8,5% ao ano mais inflação.

Com a aquisição, a Taesa irá expandir sua rede de transmissão para 6.253 km, um aumento de 68% (em relação aos atuais 3.712 km), considerando 100% das linhas adquiridas. A atuação passou de 14 para 16 estados da Federação. Conforme Rolla, em termos de Receita Anual Permitida (RAP), a participação no mercado de transmissão de energia elétrica irá aumentar cerca de dois pontos porcentuais, de 6,5% para 8,6%.

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