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Construtora registrou uma queda anual de 11,6% no lucro líquido do quarto trimestre

Após ter seu resultado do ano passado, e principalmente do quarto trimestre, afetado por uma queda na margem bruta, a Brookfield Incorporações prevê que esta linha do balanço permanecerá estável em 2012.

"Não esperamos mudança significativa em margem bruta este ano", disse o vice-presidente financeiro e diretor de Relações com Investidores da empresa, Cristiano Machado, em teleconferência nesta quarta-feira. A margem bruta em 2011 caiu de 28,9 para 27,3%, enquanto a líquida cedeu de 11,1 para 8,8%.

Já em relação à margem líquida, a empresa "espera melhora" em 2012, em decorrência da redução da taxa básica de juro (Selic), entre outros fatores.

A Brookfield registrou uma queda anual de 11,6% no lucro líquido do quarto trimestre, para R$ 75,1 milhões, impactada principalmente pela forte base de comparação com 2010, quando a venda de um projeto comercial inflou os números da construtora e incorporadora.

"Dois fatores contribuíram para o resultado do ano, um deles foi a queda de 1,6 ponto percentual na margem bruta... além disso, 2010 teve reconhecimento de receita muito forte do projeto Faria Lima", disse Machado à Reuters na terça-feira.

O executivo se referiu ao empreendimento comercial Faria Lima, em São Paulo, vendido ao grupo Malzoni por R$ 600,6 milhões em 2010, o que resultou em impacto de R$ 111 milhões no lucro daquele ano.

"Em 2011 tivemos apenas o (empreendimento) Giroflex, que ainda está em início de construção e teve pouco reconhecimento de receita até agora", acrescentou.

Quanto à queda de 1,6 ponto percentual na margem bruta de 2011, o executivo disse que "mais da metade da margem teve efeito do (projeto) BCP Corporate", cuja receita havia sido reconhecida no terceiro trimestre.

O resultado do trimestre ficou bem abaixo da média das estimativas de três analistas consultados pela Reuters, que apontava lucro de R$ 95,3 milhões no período.

A geração de caixa operacional da companhia, medida pelo Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), caiu 22,4% nos três meses até dezembro, somando R$ 179,8 milhões, com a margem cedendo de 23,3 para 19,6%.

Já a receita líquida da construtora e incorporadora totalizou R$ 917,8 milhões no último trimestre de 2011, montante 7,7% inferior ao apurado um ano antes.

O recuo ocorreu apesar do crescimento de 36% nas vendas contratadas do trimestre, para R$ 1,331 bilhão. Os lançamentos, por sua vez, alcançaram R$ 1,805 bilhão, alta de 62% ano a ano.

"Das vendas contratadas no trimestre, R$ 400 milhões foram no segmento de até três salários mínimos, em que não houve reconhecimento de receita ainda... só virá em 2012", afirmou Machado.

Nesta quarta-feira, a companhia ressaltou que continuará atuando no segmento econômico, "não pelas margens, mas pela taxa de retorno", considerando o baixo capital empregado.

No ano como um todo, o lucro líquido da Brookfield totalizou R$ 326,8 milhões, queda de 10,1%, enquanto o Ebitda cresceu 6,9%, a R$ 796 milhões.

A empresa já havia divulgado vendas contratadas de 4,387 bilhões e lançamentos de R$ 3,93 bilhões para 2011, aumentos de 21 e 32%, respectivamente.

Com isso, a companhia encerrou o ano passado com receita líquida de R$ 3,727 bilhões, crescimento de 13,5%.

O estoque da Brookfield a valor de mercado somava R$ 3,2 bilhões em dezembro, enquanto o banco de terrenos tinha potencial para lançamentos de R$ 18,1 bilhões.

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