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Maurício Tolmasquim reforça comentários do ministro Lobão sobre a reavaliação de projetos de usinas nucleares

O Brasil irá "olhar o que o mundo faz" para decidir se investirá em quatro novas usinas nucleares, afirmou nesta sexta-feira o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim.

"Temos grande quantidade de opções de geração de energia e podemos olhar com calma... Vamos fazer Angra 3 e olhar o que o mundo faz para tomar decisões sobre as demais plantas", disse Tolmasquim.

Na quarta-feira, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou que o governo está reavaliando o projeto de construir as novas usinas nucleares, exceto Angra 3 (RJ), que já está em obras.

No governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi anunciada a intenção de o Brasil construir quatro novas usinas nucleares, duas provavelmente na região Nordeste e as outras no Centro-Sul do país.

A viabilidade e a segurança da energia nuclear voltou à pauta em março, após acidente com centrais nucleares do Japão causado por terremoto seguido de tsunami.

Na ocasião, o governo da Alemanha anunciou que pretende suspender a produção de suas usinas nucleares até 2022, enquanto, no Brasil, o ministro Lobão evitou responder diretamente se a crise nuclear japonesa afetaria os planos de expansão dessa fonte de energia no país.

Segundo Tolmasquim, da EPE, o plano nuclear brasileiro será executado em um ritmo mais lento, após o acidente em Fukushima, no Japão.

O planejamento energético do Brasil até 2030 que contemplava a construção das novas usinas nucleares está sendo reavaliado. O plano será estendido até 2035 e vai analisar se as quatro unidades "devem ser mantidas no horizonte" ou alteradas.

"O plano anterior não contemplava o pré-sal, o papel da energia eólica era menor e a oferta de gás era menor. A meta é sempre privilegiar as fontes renováveis. O ritmo de fazer isso (usina nuclear) é que a gente vai discutir", disse o presidente da EPE.

Belo Monte

Sobre a hidrelétrica de Belo Monte (PA), alvo de críticas de ambientalistas e que teve sua licença concedida pelo Ibama nesta semana, Tolmasquim disse que o projeto é "vítima de preconceito ideológico".

"Tem um preconceito de alguns grupos que são ideológicos. São pessoas que querem preservar lá tudo como está mesmo que não seja necessariamente bom", afirmou ele após palestra no Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef).

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