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Petroleira pediu autorização para interromper sua produção após detectar novo vazamento de petróleo na Bacia de Campos

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) deverá requerer da Chevron mais dados técnicos que justifiquem a suspensão da produção da companhia no campo de Frade, informou uma fonte do órgão regulador nesta sexta-feira.

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Após detectar um novo afloramento de petróleo no fundo do mar , próximo ao local do primeiro vazamento ocorrido em novembro , a Chevron pediu autorização da agência para interromper temporariamente a produção da companhia no mesmo campo, localizado na bacia de Campos.

A reguladora informou na quinta-feira que autuou novamente a Chevron porque a petroleira norte-americana não teria tomado as medidas necessárias para evitar a volta das exsudações no solo marinho, após quatro meses do primeiro vazamento.

A Chevron, contudo, afirmou na quinta-feira em conferência de imprensa que não há evidências ainda de que o segundo vazamento tenha relação com o primeiro. Um pequeno volume de óleo vazou de uma rachadura de 800 metros a 1,2 mil metros da superfície e localizada três quilômetros da região onde ocorreu o primeiro vazamento.

Em novembro do ano passado uma quantidade estimada entre 2,4 mil e 3 mil barris de óleo vazaram do campo de Frade durante atividades de perfuração da companhia. A Chevron tomou conhecimento de novas bolhas de petróleo na superfície no campo de Frade no dia 4 de março, segundo disse um executivo da empresa na quinta-feira.

A companhia já enfrenta uma série de notificações da reguladora e do Ibama , além de a ções na Justiça em função do vazamento de petróleo no ano passado, por supostamente não ter tomado providências adequadas, segundo as autoridades brasileiras.

Projeto incompleto

Em entrevista à Reuters em dezembro, Magda Chambriard, hoje diretora-geral da agência, dissera que o projeto do poço da Chevron não mostrou uma falha geológica que havia no local e pode ter sido determinante para o vazamento de petróleo em novembro.

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Em outra ocasião, a diretora da agência afirmou a jornalistas que a empresa não havia concluído de forma adequada a cimentação do poço que provocou o vazamento de novembro. Na quinta-feira, a assessoria de imprensa da ANP informou que verificaria se a C hevron cumpriu adequadamente todos os procedimentos de abandono do poço .

A produção de Frade soma 61,5 mil barris/dia de petróleo. A decisão de pedir a suspensão das atividades em Frade foi tomada em conjunto com a Petrobras e o consórcio japonês Frade Japão Petróleo, parceiros da Chevron no campo, informou a empresa americana em comunicado.

Em entrevista coletiva, um executivo da companhia disse na quinta-feira que espera que a suspensão das operações no local seja uma "questão de meses". A Chevron, porém, não alterou nenhum plano de investimento no Brasil, afirmou Rafael Jaen Williamson, diretor de assuntos corporativos da companhia norte-americana.

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