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Além do turismo, sol, vento e mar dão energia ao CE

O Estado investiu R$ 1,5 bilhão na produção de luz elétrica a partir de ventos, sol e ondas. Até 2011 esse valor pode dobrar

Gustavo Poloni, enviado especial ao Ceará |

Movido apenas com a força do vento, o Ceará produz em um mês o equivalente a R$ 2,2 milhões em eletricidade. É isso que custa, no mercado livre de energia, os 500 megawatts produzidos por 250 cataventos gigantes instalados no Estado. A cena é deslumbrante: em alguns dos principais cartões postais do litoral cearense, máquinas de 80 metros de altura e 200 toneladas dão um ar futurista à paisagem. É uma mudança movida a R$ 1,5 bilhão em investimentos -- valor que deve dobrar até o final de 2011. Além de contar com os maiores parques eólicos do Brasil, o Ceará está investindo em outras fontes de energia renovável. Até o final do ano, o Estado vai ganhar a segunda maior fazenda de energia solar do mundo e um projeto piloto para produzir eletricidade a partir da força das ondas, transformando o Ceará na capital brasileira da energia limpa.

Haroldo Saboia
Com o litoral cheio de torres de 80 metros que produzem energia através do vento, o Ceará virou o Estado que mais produz energia eólica no País
Entre as três fontes de energia limpa que estão sendo exploradas no Ceará, a que mais se destaca é a eólica. O Estado conta com 14 parques que, juntos, somam cerca de 250 torres. Elas produzem pouco mais de 500 MW de luz elétrica – suficiente para abastecer uma cidade com 2,6 milhões de habitantes. É pouco perto do consumo nacional, de 58,6 mil MW. Mas já representa metade da energia consumida no Ceará. O maior parque da região é o Bons Ventos, com 75 torres. Localizado em Aracati e em Taíba, cidades no litoral cearense, já recebeu cerca de R$ 800 milhões em investimentos. Nos próximos anos, o número de torres de energia eólica deve se multiplicar no litoral cearense. A argentina Impsa anunciou que vai colocar R$ 2 bilhões na instalação de 11 parques eólicos no Estado. “O Ceará deixou de ser lembrado apenas pelo sol e calor”, diz Luiz Eduardo Aguilar, presidente do Parque Eólico Bons Ventos.

Além de parques que produzem energia a partir do vento, o Ceará ganhou fábricas que integram a cadeia de produção do setor. Pás, geradores e torres, partes que formam o aerogerador, já são produzidos no Estado. Fundada em 2006, a Tecnomaq foi a primeira empresa brasileira criada com o objetivo de fazer torres de energia eólica. Para isso, contratou consultores alemães (a Alemanha é um dos países mais avançados nessa área) para dar treinamento a seus funcionários por 100 euros a hora/aula. As torres também precisaram ser submetidas a um processo de tropicalização. Isso porque os parques eólicos alemães estão instalados sobre pedras, e não na areia de praias. Até o final do ano, a Tecnomaq deve produzir 120 torres e vai faturar algo em torno de R$ 70 milhões. Em 2011, o faturamento deve chegar a R$ 120 milhões. “Aqui no Ceará estamos construindo o Brasil do amanhã”, diz Bucar Amad Bucar, gerente geral da Tecnomaq.

Haroldo Saboia
Primeira a fabricar torres de energia eólica, a Tecnomaq vai faturar R$ 70 milhões em 2010
No início da década de 1990, o governo do Ceará deparou-se com o fantasma do apagão. Sem rios perenes, o Estado dependia exclusivamente da energia produzida pelas usinas de Paulo Afonso, na Bahia, e de Tucuruí, no Pará. Para continuar a crescer de forma sustentável e auto-suficiente, o então governador Ciro Gomes pediu que uma equipe estudasse como outros países produziam energia a partir de vento, sol e ondas – recursos encontrados em abundância no Ceará. Oito anos depois, as primeiras quatro torres de energia eólica eram instaladas na capital, Fortaleza.

O Ceará não chegou ao posto de capital nacional da energia limpa apenas com a boa vontade de governantes e o empenho de empresários. De acordo com o Atlas do Potencial Eólico Brasileiro, o Nordeste tem capacidade de gerar 75 GW – ou cinco vezes a capacidade da usina de Itaipu, a segunda maior do mundo. É mais do que a soma de todas as outras regiões do País. Entre os Estados com maior potencial, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e, claro, o Ceará, que lidera o ranking de produção de energia eólica no País. Considerada uma boa alternativa às energias não-renováveis, que tem como principal vilão o petróleo, a energia eólica é tida como a mais limpa e usa a força dos ventos para gerar eletricidade.

Longe do litoral, um outro tipo de fazenda de energia limpa começa a ganhar forma. Para aproveitar o sol que castiga o sertão cearense, a MPX, empresa que faz parte do grupo EBX, do empresário Eike Batista, lançou no fim de março a pedra fundamental para a construção da maior usina de energia solar da América do Sul, a segunda maior do mundo. Localizada em Tauá, cidade de 17 mil habitantes a 340 quilômetros de Fortaleza, ela vai ocupar uma área de 220 hectares, ou 220 campos de futebol. Na primeira etapa do projeto, que ficará pronto até o fim do ano, serão usadas R$ 4,4 mil placas fotovoltaicas para gerar 1 MW, energia suficiente para alimentar a casa de 5 mil pessoas. A ideia é que a produção seja multiplicada por 50 nos próximos anos – um investimento que pode chegar a US$ 250 milhões.

No Porto do Pecém, na Grande Fortaleza, um investimento muito menos suntuoso está sendo feito para testar a energia produzida a partir da energia das ondas. Uma parceria entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro, o governo do Estado do Ceará e o grupo franco-belga Tractebel vai colocar R$ 12 milhões num projeto pioneiro instalado no quebra-mar do porto do Pecém. A partir de setembro, a usina vai produzir apenas 100 KW, que serão usados para iluminar o porto. A vantagem em relação às outras formas de energia? A proximidade dos centros consumidores, que estão concentrados no litoral, e a constância da maré, que faz com que a usina atinja até 70% de capacidade de produção – o dobro da eólica, a segunda fonte de energia limpa com o maior fator de capacidade. “É uma mudança de paradigma”, diz Eliab Ricarte, gerente geral do projeto de energia de ondas. “Durante muito tempo o Nordeste foi visto como um problema nacional no setor de energia”.

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