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Em 2012, o consumo de petróleo se situará em 90 milhões de barris diários em média, 1,1 milhão a mais do que no ano passado

A Agência Internacional da Energia (AIE) revisou nesta quarta-feira para baixo a previsão de demanda global de petróleo para este ano, devido aos efeitos da crise que afeta em particular à zona do euro, e não descarta repetir o rebaixamento no futuro devido as perspectivas econômicas. Em 2012, o consumo de petróleo se situará em 90 milhões de barris diários em média, 1,1 milhão a mais do que no ano passado, assinalou a AIE em seu relatório mensal sobre o mercado petroleiro, o que significa 200 mil barris a menos do que a estimativa de dezembro.

Os autores do estudo destacaram que estão aguardando pelas previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI) e de outros organismos. Se estes reduzirem suas expectativas de crescimento econômico, a AIE voltará a revisar as suas, provavelmente para baixo, embora tenha descartado a estagnação da demanda de petróleo neste ano. Com os números atuais, os países em desenvolvimento serão os que devem puxar a demanda em 2012, com avanço de 3,2% (mais do que os 3% de 2011), o que representa que absorverão 1,4 milhão de barris diários suplementares.

A outra face da moeda são os membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que mais uma vez diminuirão o consumo de petróleo: 0,7%, após ter reduzido em 1,2% em 2011. Com relação à oferta, em dezembro houve aumento em 100 mil barris diários, para 90 milhões, graças à contribuição da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), que colocou no mercado 240 mil barris diários a mais do que no mês anterior, o que compensou a redução de outros produtores.

O volume de extração do cartel petroleiro, com 30,89 milhões de barris diários, atingiu o máximo em mais de três anos, graças à recuperação da produção da Líbia, e em menor medida, as contribuições da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos. A agência coincide com a Opep em que a demanda dirigida aos países do grupo durante este ano será de 30 milhões de barris diários, o número que o cartel marcou como meta na reunião de 14 de dezembro.

O verdadeiro motivo de preocupação é o Irã, diante dos passos dados pelos Estados Unidos e a União Europeia para aplicar um embargo sobre seu petróleo e a resposta do regime de Teerã, que ameaçou bloquear o Estreito de Ormuz, pelo qual passa um terço do petróleo utilizado no mundo. Os analistas da AIE estimam que o Irã exporte 2,5 milhões de barris diários, desses 600 mil barris para países da União Europeia. Pelo estreito de Ormuz passam por dia 17 milhões de barris.

Na eventualidade de um bloqueio dessa passagem - que segundo os analistas militares seria de curta duração -, a Arábia Saudita tem capacidade para enviar 2,5 milhões de barris suplementares ao Mar Vermelho por seus oleodutos e Abu Dhabi terá a partir de junho de um oleoduto que permitiria evitar o Estreito.

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