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Diretor do banco, Guilherme Lacerda, participa do Fórum Brasil-Infraestrutura, nesta quarta-feira (4)

Brasil Econômico

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está presente em todos os financiamentos de infraestrutura. Em 2013, a diretoria do banco debruçou-se sobre uma enormidade de projetos mas, em 2014, a expectativa é de que haja maior número de contratações, segundo o diretor do banco, Guilherme Lacerda. “Para fazer financiamento em infraestrutura, é preciso ter bons projetos que, geralmente, são complexos”, ressalva Lacerda, que é um dos palestrantes do Fórum Brasil-Infraestrutura, promovido pelo Brasil Econômico , em Brasília, amanhã (saiba mais sobre o evento clicando aqui ).

Sede do BNDES, no Rio
Divulgação
Sede do BNDES, no Rio

Brasil Econômico: Quanto o BNDES deve liberar em projetos de infraestrutura em 2014?

Guilherme Lacerda:  Com certeza está ocorrendo um aumento no número de financiamentos em infraestrutura. O ponto de partida é que, para fazer financiamento em infraestrutura, é preciso ter bons projetos que, geralmente, são complexos. Especialmente em mobilidade urbana, há áreas muito adensadas, que necessitam de desapropriações e estudos de mercado. Em 2013, foram feitos muitos projetos e agora começam a haver as contratações. No âmbito das rodovias e dos portos, já estamos avançando. Em energia também. O presidente Luciano Coutinho tem dito que os desembolsos para infraestrutura devem superar os R$ 60 bilhões, considerando as operações diretas e indiretas. Comparando a expectativa de desembolsos em 2014 com o realizado em 2013, especificamente para operações diretas (cujas liberações são feitas pelo BNDES), o montante esperado é de R$ 34 bilhões a R$ 35 bilhões, enquanto em 2013 foram liberados R$ 30 bilhões.

E quanto ao que vem sendo desembolsado nas áreas da infraestrutura social, como mobilidade urbana e saneamento?

Guilherme Lacerda:  Os desembolsos para mobilidade foram de R$ 3,6 bilhões em 2013 e prevemos que em 2014 alcancem R$ 6,2 bilhões. Para saneamento, os financiamentos previstos estão no mesmo patamar do ano passado, de R$ 1,2 bilhão. Além desses desembolsos referentes a operações contratadas em linhas setoriais específicas, há programas como o Proinveste e o BNDES Estados, que admitem uma série de investimentos, inclusive em mobilidade e saneamento, cujos desembolsos impactarão esses valores estimados para 2014. Em meados de 2012, o governo federal fez o programa de financiamento dos estados. Houve a decisão de liberar R$ 20 bilhões. Em 2013, os projetos foram apresentados; em 2014, obras já estão em construção. É o caso das rodovias estaduais, de melhorias nas regiões metropolitanas, e da construção de equipamentos sociais nas áreas de saúde, mobilidade urbana e segurança pública. Já foram desembolsados para o Proinveste R$ 7,4 bilhões de R$ 11 bilhões contratados pelos estados diretamente com o BNDES (os demais R$ 9 bilhões do programa são operações realizadas pelos estados com repasses do BNDES para o BB e a Caixa). Os recursos já foram quase integralmente disponibilizados pelo BNDES para essas instituições, perfazendo um total liberado pelo BNDES de R$ 15,4 bilhões dos R$ 20 bilhões totais. Todos os estados tomaram financiamentos e estão executando as obras: pontes, viadutos, duplicações de vias. Há também um conjunto grande de projetos volumosos ligados ao PAC Mobilidade, voltado para as capitais (R$ 30 bilhões) e o Média Cidade, destinado a 59 municípios. Na área de saneamento, há ainda um bloco lançado no PAC e empresas estaduais já estão tomando financiamento, como Sabesp e Sanepar.

Que setores são prioritários para o banco dentro da infraestrutura logística?

Guilherme Lacerda:  Todos os grande projetos e do PIL, de estradas e aeroportos. Grandes aeroportos já estão em carteira, além de rodovias. E o que está por vir ainda seria de portos e ferrovias. A carteira de projetos aprovados em infraestrutura logística (rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, navegação) entre 2003 e abril de 2014, soma R$ 123,4 bilhões em investimentos e R$ 55,4 bilhões em financiamentos, com 174 projetos. Desse total, rodovias têm 43 projetos aprovados, com financiamento de R$ 15,1 bilhões e investimentos de R$ 29 bilhões; ferrovias têm 30 projetos, com financiamento de R$ 17,2 bilhões e investimento de R$ 51,3 bilhões; portos têm 39 projetos, com R$ 10,2 bilhões em financiamento e R$ 18 bilhões em investimentos; aeroportos e transporte aéreo têm 11 projetos, com financiamentos de R$ 7,3 bilhões e investimentos de R$ 11,2 bilhões; navegação têm 32 projetos, com financiamentos de R$ 2,8 bilhões e investimentos de R$ 4,1 bilhões; transporte dutoviário, com R$ 2 bilhões em financiamento e R$ 8,7 bilhões em investimentos; terminais e armazéns possuem 17 projetos, com R$ 850 milhões em financiamento e R$ 1,1 bi em investimento.

Qual é a participação do BNDES no financiamento da infraestrutura?

Guilherme Lacerda:  Estou seguro de que todos os projetos de infraestrutura do país têm a participação do BNDES, da ordem de 70%, 80%, às vezes 90%. Por isso, temos a preocupação de ampliar a participação no mercado de capitais.

Quais são os desafios do financiamento de infraestrutura?

Guilherme Lacerda:  O principal é fazer com que os projetos saiam do papel. Deve haver boa sintonia entre financiadores, governos e agentes privados para que os projetos saiam de forma adequada, evitando problemas na execução.

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