Tamanho do texto

Focado na aviação executiva, empreendimento da Hárpia Logística, em Embu-Guaçu, deve ser o primeiro construído pela iniciativa privada. Dois outros empreendimentos, em São Roque e Caçapava, seguem a trilha

Brasil Econômico

Às margens do trecho sul do Rodoanel Mário Covas e próximo da divisa com o município de Embu-Guaçu. Este é o local escolhido para a construção do novo aeroporto de São Paulo, batizado de Aeródromo Harpia, um inédito empreendimento costurado pelos empresários André Skaf e Fernando Botelho Filho a partir de uma sociedade na área de logística estabelecida em 2012.

O projeto, que terá sua execução autorizada amanhã no escritório da Presidência da República na capital paulista, vai contemplar a aviação executiva, que hoje lida com custos elevados e gargalos operacionais nas tradicionais praças de Congonhas, Cumbica e Campo de Marte.

HondaJet
Getty Images
HondaJet

Ligado à Camargo Corrêa, da família de Fernando, a construtora que será responsável pelo empreendimento, a Andrade Gutierrez, também deve entrar como parceira. Botelho e André, este filho de Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), apresentaram à Secretaria da Aviação Civil (SAC), entre os meses de março e abril, os respectivos pedidos de autorização para a construção do aeroporto e de exploração do espaço em conformidade com o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). A informação foi antecipada com exclusividade pelo Brasil Econômico em entrevista com o ministro Moreira Franco (Aviação Civil).

Também chamado de Aeródromo Privado Rodoanel, o Harpia será o primeiro empreendimento privado do gênero no país autorizado a operar voos de aviação executiva e a cobrar tarifas aeroportuárias. De acordo com o projeto apresentado ao governo, ele terá uma pista de 1.830 metros de extensão e será capaz de operar até 240 mil pousos e decolagens por ano. O aeródromo deverá atender a atividades de aviação geral (executiva), serviços de táxi aéreo, operação de helicópteros, movimento de cargas e armazenagem de peças de aeronaves privadas.

Existem dois tipos de aeroporto no país: os aeródromos civis públicos, abertos ao tráfego aéreo de qualquer aeronave, e os privados, nos quais só os proprietários e pessoas autorizadas por eles podem fazer pousos e decolagens. A exploração comercial de aeródromos de uso privado é proibida.

Todavia, o Decreto Nº 7.871, de 21 de dezembro do ano passado, estabeleceu a chamada autorização como modalidade de outorga. Por ela, empreendedores privados poderão abrir aeroportos de uso público e cobrar tarifa, desde que toda a execução da obra, a manutenção e a segurança — inclusive contra incêndios — sejam de responsabilidade exclusiva das empresas. As regras da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e do Comando da Aeronáutica também deverão ser observadas, e os empreendimentos estão sujeitos a fiscalização. O regime tarifário previsto pela Anac deve ser respeitado, com recolhimento de um adicional de tarifa aérea (chamado Ataero), que equivale a 35,9% da tarifa original e é destinado ao Fundo Nacional da Aviação Civil (Fnac).

Por ora, a administração do espaço ficará a cargo da própria Harpia Logística, empresa aberta no último mês de agosto com o capital de R$ 1,7 milhão. No entanto,áereas como TAM e Gol já demonstraram interesse em um futura aproximação.

O aeródromo funcionará numa área de quase 3,5 milhões de metros quadrados, um dos últimos terrenos aptos a receber um empreendimento desse tipo na capital paulista.

O investimento estimado é de R$ 500 milhões para uma obra com três anos de duração. A efeito de comparação, a distância para Congonhas, em linha reta, será de 20 km. No espaço ainda estão previstos módulos comerciais, um hotel de médio porte e postos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da Receita Federal.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.