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Com tecnologia de roda sobre trilhos, a licitação do trem de alta velocidade pode sofrer novos adiamentos para se tornar atraente

Brasil Econômico

Empresas de sete países já demonstraram interesse em participar da construção e operação do Trem de Alta Velocidade (TAV), o trem-bala, que ligará o Rio a Campinas (SP), passando pela capital paulista. Companhias do Japão, Alemanha, Espanha, França, Coreia do Sul, Canadá e Itália compareceram à audiência pública que aconteceu no início do ano na BM&F Bovespa para tirar dúvidas sobre o edital.

A expectativa dos especialistas, no entanto, é de que um número menor de companhias com experiência no setor forme os consórcios e apresente propostas. Entre elas, as francesas Alstom e SNCF (sigla, em francês, para Société Nationale des Chemins de fer Français); a japonesa Mitsui; Bombardier, do Canadá, e a alemã Siemens.

Trem-bala ligará o Rio de Janeiro a Campinas (SP), passando pela capital paulista
Reprodução
Trem-bala ligará o Rio de Janeiro a Campinas (SP), passando pela capital paulista

A Siemens e a Alstom já atuam no Brasil na área de trilhos. A alemã foi responsável pela implantação da linha 4, a amarela, do metrô de São Paulo — a única sem maquinista na América do Sul. A Alstom também acumula experiência na rede metroviária paulista e carioca.

Ainda não se sabe quais delas realmente apresentarão propostas firmes na licitação, prevista para o dia 19 de setembro. Uma das exigências da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) é de que a tecnologia a ser utilizada pelo trem-bala seja certificada e que já esteja em operação antes da assinatura do contrato, previsto para 27 de fevereiro de 2014. A expectativa é que os consórcios apresentem propostas para modelos de trens de alta velocidade, com tecnologia de rodas sobre trilhos.

“Os únicos desafios da licitação aqui seriam mais na parte de pontualidade e do itinerário”, explica o professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) Telmo Porto.

O professor do Departamento de Engenharia de Transportes da Escola Politécnica da UFRJ Hostílio Ratton destacou que, mesmo com a implantação do TAV tradicional, o Brasil terá de reciclar projetistas, construtores e operadores de ferrovia, com transferência de tecnologia, item obrigatório no edital.

“O Brasil não tem ferrovias para trens rápidos.Então, toda cautela será pouca para não causar um defeito na geometria da via (desnivelamento, desalinhamento, folga ou aperto de bitola, entre outros) ou da roda. Esses defeitos têm seu impacto ampliado com a velocidade”, alertou.

O trem-bala brasileiro

A licitação para construção e operação do TAV brasileiro será realizada em duas etapas. Na primeira fase, prevista para o dia 19 de setembro - mas que pode ser adiada devido às mudanças para aumentar a atratividade do projeto —, será escolhido o consórcio que irá obter a concessão de 40 anos para operar o trem. O ganhador dessa fase terá de fazer investimentos estimados em R$ 8,7 bilhões (valores de 2007 e que ainda precisam ser atualizados) para desenvolver o projeto e comprar o material rodante.

Após a primeira etapa, será definido o modelo para a realização das obras da infraestrutura (pontes, viadutos, túneis e via permanente). O presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Bernardo Figueiredo, já afirmou que o governo estuda mudar também esta segunda fase, que era a contratação da construção da linha e das estações, para fazer uma concessão, na qual o construtor terá o direito de explorar a parte não operacional das estações e o entorno.