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Presidente da companhia estima que serão necessários US$ 3 bi para a rodovia em cinco anos

Uma das prioridades da Triunfo Participações para o ano de 2013 será vencer a licitação da concessão da rodovia BR-040, no trecho entre Juiz de Fora, em Minas Gerais, e Brasília, no Distrito Federal.

“Estamos estudando profundamente a 040”, afirmou Carlos Alberto Bottarelli, presidente da Triunfo, durante encontro realizado ontem.

Pelos cálculos do executivo, a cada quilômetro, a Triunfo precisa investir R$ 4 milhões. Como o trecho a ser licitado é de aproximadamente 720 quilômetros, os gastos totalizariam cerca de R$ 3 bilhões nos próximos cinco anos, dos quais R$ 1 bilhão virão de fundos de equity, e R$ 2 bilhões de dívida.

Uma lição aprendida pela companhia ao perder a licitação da rodovia 101, no Espírito Santo, segundo Bottarelli, foi propor despesas de capital excessivamente conservadoras na comparação com seus pares.

Esse erro deverá ser corrigido nas próximas disputas, com o auxílio da tecnologia, que agrega ferramentas com potencial para otimizar o processo usado para se chegar a uma proposta. No entanto, o executivo deixou claro que sua companhia entrará na disputa do leilão de rodovias somente se o governo oferecer uma taxa de retorno atraente.

As sinalizações que vieram de Brasília, de acordo com o presidente da Triunfo, indicam uma taxa de retorno ao redor dos 5,5%, patamar esse considerado aquém do necessário pelo executivo para que valha a pena fazer negócio.

Bottarelli lembrou que recentemente o BTG, em consórcio formado com a espanhola Abertis, venceu a concessão de túneis na região de Barcelona, e não descartou expandir as operações da empresa além-fronteiras. “Se a taxa de retorno na Espanha for de 8%, vou pra Espanha. Temos que estar abertos às possibilidades”, comentou.

De acordo com o executivo, a taxa de retorno do aeroporto de Viracopos, em Campinas, que teve sua licitação vencida em fevereiro passado por um consórcio do qual a Triunfo fez parte, fica na casa dos dois dígitos.

“Viracopos foi uma conquista muito importante. Coloca a companhia em outro patamar. Dá mais visibilidade. E as ações estão acompanhando isso”,disse. No acumulado de 2012, as ações ordinárias da Triunfo (TPIS3) têm ganhos que chegam aos 36%.

Uma oportunidade atraente que surge com o negócio de aeroportos, diz Bottarelli, é a exploração do mercado imobiliário nas imediações.

“O potencial do real state próximo aos aeroportos nunca foi explorado. Pensar na questão imobiliária é sem dúvida um grande negócio”.

Além disso, o executivo disse que, com a possibilidade de o Trem de Alta Velocidade (TAV) ter sua estação inicial em Viracopos, e a final em Galeão, no Rio de Janeiro, há o interesse da Triunfo em participar da licitação do aeroporto carioca.

“A gente tem que pensar grande. Até porque Galeão tem custo baixo. Não tem porque não oferecer o serviço completo”, ponderou Bottarelli.

A licitação da própria operação do TAV foi ventilada como uma possibilidade para a Triunfo futuramente, e o presidente da Triunfo apontou como risco para o projeto a falta de demanda. “O Brasil não tem experiência com trens, mas faz muito sentido. A presidente Dilma foi visionária, e o tempo vai dar razão para ela.”

O presidente da Triunfo falou também que a dívida da companhia seguirá em trajetória ascendente até agosto do ano que vem, quando entra em operação a Usina Hidrelétrica Garibaldi, localizada no município catarinense de Abdon Batista.

A usina deve adicionar à companhia um ganho de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) entre R$ 60 milhões a R$ 70 milhões.

Um ponto crítico para a Triunfo em 2013, segundo palavras de seu presidente, é a companhia de navegação, a Maestra, que tem uma geração de caixa abaixo do imaginado anteriormente. A Maestra ainda necessitará de injeções adicionais de capital por parte de sua controladora, e deve começar a reportar geração de caixa apenas no último trimestre do ano que vem.

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