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Investimento de R$ 160 milhões vai ajudar a ampliar linhas de transmissão na Paraíba

Brasil Econômico

Depois de ser pressionada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), pelo atraso da instalação de linhas de transmissão em parque eólicos prontos no nordeste, a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), anunciou investimento da ordem de R$ 160 milhões para expandir as linhas de transmissão na Paraíba.

O motivo da fiscalização do agente regulador é um levantamento que mostra que 32 parques eólicos dos 71 leiloados em 2009 estão parados, aguardando linhas de transmissão. Porém, a Chesf, empresa do Grupo Eletrobras, já sinalizou que o recente investimento, que deve ocorrer em 2013 e 2014, não será exclusivo para o setor eólico.

Segundo João Bosco de Almeida, presidente da companhia, os empreendimentos que estão em processo de implantação são as linhas de transmissão Pau Ferro/Santa Rita II, no valor de R$ 30 milhões, e Campina Grande/Ceará-Mirim II, de R$ 130 milhões.

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“Esses são projetos que possibilitarão uma melhoria do suprimento de energia elétrica para a região metropolitana de João Pessoa e para a área polarizada por Campina Grande, além do escoamento da energia das usinas eólicas do Rio Grande do Norte”, explicou o executivo por meio de nota.

Sem as linhas de transmissão, as usinas que atualmente estão paradas e não geram energia, representam uma despesa para os consumidores de cerca de R$ 370 milhões.

A Chesf, que recebeu multa de R$ 2,2 milhões por descumprimento do cronograma de implantação das obras, chegou a alegar ao agente regulador que o atraso ocorreu “em virtude da superficialidade de informações disponibilizadas para o leilão e da demora dos órgãos ambientais na análise dos pleitos”.

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E a situação da Chesf pode piorar ainda mais quando os novos parques eólicos entrarem em operação. De acordo com dados da Aneel, das 265 usinas atualmente em construção, a Chesf é responsável pela transmissão de pelo menos 49 delas, que juntas somam capacidade permitida de 1,5 gigawatts (GW). Ainda segundo o órgão regulador, do total de usinas, 94 estão em situação de atraso.

Segundo a presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Élbia Melo, as usinas que deveriam operar no início de julho, devem iniciar operação em setembro de 2013. Para ela a realização dos leilões com seis meses de atraso e impasses na liberação de licenças ambientais foram agravantes para chegar na atual situação. Já sobre os atrasos na construção das novas usinas eólicas, Élbia explica que o setor não conta com infraestrutura terrestre adequada para otimizar as operações. “A logística é um grande desafio, além da transmissão. Já soubemos de empresas que tiveram que remover uma farmácia para conseguir passar com o equipamento. Isso leva tempo e causa o atraso”, explica. Procurada, a Chesf não quis comentar o assunto.

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