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Governo Alckmin diz que ausência das usinas de Ilha Solteira, Jupiá e Três Irmãos no processo terá impacto negativo de 1,6 a 1,7 ponto na redução de 20% nas contas de luz

Reuters

A reunião entre o governo do Estado de São Paulo e o Ministério de Minas e Energia nesta terça-feira terminou sem avanços e o governo paulista manteve a decisão de não renovar as concessões da geradora Cesp , afirmou o secretário estadual de energia, José Aníbal.

"A Cesp não vai participar desse processo. Não podemos aceitar essa defasagem de R$ 5 bilhões", disse, referindo-se à diferença entre a indenização proposta pelo governo para os ativos não depreciados das usinas de Ilha Solteira, Jupiá e Três Irmãos, de R$ 1,8 bilhão, e a contabilidade da Cesp, de R$ 7,2 bilhões a receber.

Segundo Aníbal, a decisão recente do governo de levar em conta investimentos em modernização nas usinas para aumentar os valores a serem indenizados não muda o cenário.

"Isso será feito ao longo de 2013. Isso para nós não acrescenta nada", disse.

O secretário de energia de São Paulo disse ainda que a Cesp pode até entrar na Justiça, caso seja retomada e relicitada a concessão da usina de Três Irmãos, vencida desde 2011.

Uma fonte do governo federal disse na segunda-feira que a intenção é leiloar Três Irmãos, de 807 megawatts (MW) já no início de 2013.

"A concessão venceu em 2011. Não é uma coisa aleatória. Ou prorroga ou não prorroga. Se não prorroga, a Cesp vai tomar uma posição e cabe inclusive recorrer à Justiça", disse Aníbal, lembrando que a Cesp pediu a prorrogação da concessão duas vezes e em ambos os casos houve avaliação favorável da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Segundo Aníbal, a ausência das três usinas da Cesp no processo de renovação deve ter um impacto negativo de 1,6 a 1,7 ponto percentual no plano de redução média de 20% nas contas de luz, medida anunciada em setembro pela presidente Dilma Rousseff.

Aníbal acredita em algum tipo de mudança nas regras no Congresso , mas avalia que as negociações diretas com o governo estão encerradas. (Por Leonardo Goy; edição de Aluísio Alves)


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