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Enquanto o governo eleva em R$ 744 milhões a indenização às elétricas que renovarem contratos, os 27 mil funcionários da Eletrobras prometem cruzar os braços na segunda-feira

O Ministério de Minas e Energia (MME) vai editar uma Medida Provisória complementar à MP 579, que renova o prazo de concessão do setor e reduz preço da conta de luz. O novo texto irá atender exclusivamente ao segmento de transmissão. O arranjo faz parte da revisão dos valores de indenização às concessionárias que aceitarem renovar as concessões de ativos nos termos da MP 579, que reestabelece prazos de vencimento das autorizações de exploração de ativos da União.

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Na contramão do movimento anunciado na noite desta quinta-feira (29) pelo secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, os 27 mil funcionários públicos do Sistema Eletrobras comunicaram que cruzarão os braços na próxima segunda-feira (3). A paralisação será em desagravo à MP 579.

A greve foi convocada nesta quinta-feira (29) pela Federação Nacional dos Urbanitários (FNU) e o Coletivo Nacional dos Eletricitários, em nota que acusa a presidenta Dilma Rousseff de estar implementando uma nova privatização no setor elétrico.

“A presidenta não pode esquecer que seu compromisso contra a privatização foi decisivo na sua vitória no segundo turno (das eleições de 2010). Portanto, para a categoria, é uma traição editar uma medida que na pratica é uma privatização disfarçada, não há dúvidas que fortalecer as empresas do Sistema Eletrobras é trair os trabalhadores”, dizem as entidades.

A FNU e o Coletivo ameaçam o governo de uma greve estendida caso o Palácio do Planalto não reconheça a “importância da sobrevivência de empresas como Chesf, Eletronorte, Eletrobras, Eletrosul Cemig, Eletronuclear, Distribuidoras Federais, CGTEE, Cepel e Furnas”.

Essas empresas estariam ameaçadas de não renovar concessões que, posteriormente, poderiam ser repassadas à iniciativa privada. “(Caso ínsita na MP 579, o governo) terá que enfrentar protestos cada dia mais fortes e radicalizados dos trabalhadores em todos os estados”, sinalizam.

Os eletricitário acusam a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), antes contrária à MP 579, de mudar de discurso para apoiar a privatização. A Fiesp e a Firjan (federação fluminense de indústrias) gastaram alguns milhões na semana passada para publicar anúncios de página inteira nos principais jornais do País. A medida teria sido cobrada pela presidente Dilma por meio do ministro Guido Mantega (Fazenda), que dias antes se reuniu com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, em Brasília.


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