Tamanho do texto

Programa de concessões foi adiado pelo governo que terá de desembolsar recursos próprios para obras

O governo deixará por conta da Infraero a responsabilidade de preparar os principais aeroportos do país para a Copa do Mundo de 2014 e para a Olimpíada de 2016. Após encontrar dificuldade em promover um novo modelo de concessão com parceiros privados, em que a estatal aeroportuária teria participação majoritária, o programa dos aeroportos acabou ficando na geladeira e deverá ser retomado pela presidente Dilma Rousseff após o fechamento dos planos de investimentos para os portos, que deve ser anunciado nos próximos dias.

A avaliação de fontes ligadas ao Palácio do Planalto é a de que Dilma pode anunciar planos para atração de investimentos privados para os aeroportos até o final do ano, mas não há mais tempo hábil para finalizar os procedimentos técnicos de novas concessões, o que pressupõe o lançamento do edital, atendendo a algumas “correções de rumo” quando comparado aos contratos anteriores, e operacionalizar a licitação.

Dilma acatou a posição defendida por membros da Infraero de que as obras para a ampliação da capacidade dos terminais do Galeão, no Rio de Janeiro, e de Confins, em Minas Gerais, serão suficientes para atender a uma demanda maior de passageiros durante os megaeventos esportivos. Os projetos de ampliação dos dois principais aeroportos, sob a responsabilidade da Infraero, devem ficar prontos antes da Copa. Segundo a companhia, as obras em Confins e no Galeão devem ser concluídas em dezembro de 2013.

Atualmente, no entanto, as obras ainda estão em estágio inicial. Até outubro deste ano, a apenas 13,13% do projeto de reforma e ampliação do Terminal 1 de Confins foi executada, enquanto que a reforma do terminal 1 do Galeão teve 7% dos recursos executados e n terminal 2, 29,14% Para o consultor José Wilson Massa, especializado em gestão aeroportuária, o Galeão tem uma situação relativamente tranquila. O terminal dois de passageiros já tem obras em estágio adiantado e deve ficar pronto em breve. Com a ampliação, o aeroporto deverá ser tornar apto para receber 20 milhões de passageiros por ano, acima da demanda atual que está apenas um pouco acima da sua capacidade normal de 15 milhões.

A maior preocupação é Confins que tem hoje uma capacidade para atender a cinco milhões de passageiros para uma demanda atual que já beira os 10 milhões de usuários. “As obras previstas pela Infraero ampliarão a capacidade para empatar com o nível deste ano, mas será pouco para a Copa do Mundo”, afirma. “Além do que está sendo feito, a Infraero já teria que estar iniciando obras de terminal 2 isso para dar conta da demanda para os próximos anos.”

A execução dos projetos da Infraero previstos para Galeão e Confins ainda dependerão de aportes do Tesouro Nacional para a estatal. Com a concessão dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília, no início deste ano, a companhia de infraestrutura aeroportuária perdeu 38% de receitas, o que prejudicou a sua capacidade de investimentos.

Conforme publicou ontem o BRASIL ECONÔMICO, a Infraero está revisando os planos de investimentos para 2014 e a necessidade que terá de recursos do Tesouro. O aporte do Tesouro para 2013 já foi definido em R$ 1,8 bilhão e a demanda para 2014 ainda está em aberto.

Leia mais notícias de economia, política e negócios no jornal Brasil Econômico

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.