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Saída de Vicente Okazaki foi anunciada no mesmo dia em que a empresa divulgou lucro de R$ 149,6 milhões, revertendo prejuízo de R$ 98,6 milhões um ano antes

Agência Estado

O diretor financeiro da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) renunciou ao cargo na sexta-feira, em meio ao processo de renovação de concessões do setor elétrico que tem a estatal paulista entre as companhias mais afetadas. A saída de Vicente K. Okazaki - que também chefiava a área de Relações com Investidores - foi anunciada no mesmo dia em que a empresa divulgou lucro de R$ 149,6 milhões, revertendo prejuízo de R$ 98,6 milhões um ano antes. O resultado veio próximo da expectativa média de analistas, segundo pesquisa Reuters.

O motivo da renúncia de Okazaki não foi informado. Ele será substituído interinamente pelo presidente executivo da Cesp, Mauro Arce, que acumulará as funções. O presidente da Cesp não quis se manifestar sobre a saída do diretor. Okazaki havia assinado um comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no dia 5 de novembro, no qual informava que a Cesp iria questionar judicialmente os critérios da renovação da concessão definidos pelo governo federal na Medida Provisória 579.

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O governo do Estado de São Paulo desautorizou os termos do comunicado e negou que a MP de renovação das concessões das hidrelétricas seria questionada judicialmente. O secretário de Energia de São Paulo, José Aníbal, disse que o comunicado da Cesp não reflete a atual posição do governo e foi enviado à CVM à revelia do presidente da companhia.

Resultado

A melhora do resultado da companhia de julho a setembro foi possível pela menor despesa financeira líquida, de R$ 124,9 milhões. Um ano antes, o resultado financeiro havia sido negativo em R$ 330 milhões. O desempenho operacional também ajudou, com a receita líquida crescendo 13% na comparação anual, para R$ 831 milhões, e as despesas avançando em menor ritmo, com alta de 3,9%, para R$ 460,7 milhões.

A geração de caixa medida pelo Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) foi de R$ 585,5 milhões, com margem de 70,5%. Em igual período de 2011, o Ebitda foi de R$ 501,3 milhões e a margem, de 68,2%. A receita e o Ebitda da Cesp também vieram perto da expectativa média de analistas. A estatal paulista tem mais de três quartos de sua capacidade de geração na lista de hidrelétricas sujeita à renovação antecipada e condicionada de concessões elétricas que venceriam de 2015 a 2017 - componente importante da equação do governo para redução média de 20% na conta de luz no Brasil em 2013.

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Se optar pela renovação antecipada, a Cesp receberá indenização de R$ 1 bilhão pelos investimentos não depreciados nas usinas Ilha Solteira e Três Irmãos. José Aníbal dizia que apenas Ilha Solteira tinha R$ 4 bilhões não amortizados. Além do ressarcimento inferior ao esperado pelo governo do Estado, a Cesp terá a menor tarifa de geração no processo de renovação das concessões, segundo divulgou o governo federal.

A Cesp informou que vai questionar a composição das tarifas e a metodologia do governo federal na proposta de renovação das concessões e analistas esperam que a companhia não renove as concessões. Assim, manteria os ativos até o vencimento dos contratos atuais com direito às tarifas de energia vigentes, que são cerca de 70% maiores. As ações da Cesp acumulam perda de 50% nos últimos três meses. A teleconferência sobre o resultado trimestral da empresa, que estava agendada para o dia 13, foi adiada para 28 de novembro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .

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