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"A consistência da operação levou à melhora de rentabilidade e margens contra os trimestres anteriores", disse o vice-presidente financeiro da construtora, Leonardo Corrêa

Reuters

A MRV Engenharia começou a apresentar no terceiro trimestre erta recuperação ante o cenário mais difícil no primeiro semestre, mas sofreu uma queda anual de 27,8% no lucro do terceiro trimestre.

A construtora e incorporadora mineira teve lucro líquido de R$ 151 milhões entre julho e setembro, perto da média de previsões de cinco analistas, de ganho de R$ 157,8 milhões no período.

Já na comparação com o segundo trimestre deste ano, houve alta de 3,6%.

"A consistência da operação levou à melhora de rentabilidade e margens contra os trimestres anteriores", disse à Reuters o vice-presidente financeiro da MRV, Leonardo Corrêa, atribuindo o recuo anual a maiores despesas gerais e administrativas e ao fato da empresa ser mais alavancada hoje, resultando em carga de juros maior.

Ele citou ainda que a greve do setor bancário em setembro resultou em menos contratos assinados e, portanto, menor volume de recebimentos.

A greve também fez com que a companhia deixasse de ter geração de caixa positivo, o que deve ocorrer no quarto trimestre, conforme Corrêa. Pelo segundo trimestre consecutivo, a geração de caixa foi neutra no segmento residencial.

Nos três meses até setembro, o Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) somou R$ 238 milhões, queda de 21,1% ano a ano, com a margem caindo de 28,5 para 20,8%. Analistas estimavam Ebitda de 243,7 milhões para a empresa.

A receita líquida, enquanto isso, subiu 8,4% sobre igual etapa do ano passado, para 1,145 bilhão de reais.

A MRV já havia divulgado vendas contratadas de R$ 1,027 bilhão para o terceiro trimestre, queda de 5% sobre um ano antes, mas crescimento de 9% em relação ao período anterior.

A empresa acumulou vendas de R$ 2,784 bilhões nos nove primeiros meses do ano, 3,4% menores ao mesmo período de 2011 e equivalentes a pouco mais da metade do ponto médio da projeção da companhia para 2012, de vender entre R$ 4,5 bilhões e R$ 5,5 bilhões.

Com isso, a companhia tem o desafio de vender R$ 1,7 bilhão nos três últimos meses do ano, a fim de cumprir o piso da estimativa traçada, ou o equivalente a quase 43% do mínimo da meta anual.

"Não alteramos o 'guidance', apesar de acreditar que é um desafio grande atingi-lo... mas vamos até o final", afirmou Corrêa.

Segundo ele, a MRV está mais otimista com o desempenho do atual trimestre, que deve ser favorecido principalmente pelas mudanças no programa "Minha Casa, Minha Vida", aprovadas em outubro, que incluíram aumento dos limites de preços das unidades, redução de juros e elevação do subsídio máximo.

"Essas mudanças são muito importantes para dar continuidade ao processo de melhora (das operações)", disse o executivo. Com os ajustes, a MRV passou a ter mais projetos elegíveis ao programa.

A empresa também tem o desafio de cumprir a projeção traçada para margem Ebitda no fechado de 2012, de entre 24 e 28%. Até setembro, a margem está acumulada em 19,6%.

Por Vivian Pereira


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