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Depois de mais de R$ 1 bi em prejuízos em 2011, história deve ser repetir até 2013

O império formado pelas empresas do Grupo EBX está sendo corroído pelo descrédito de investidores. Criadas na fase pré-crise econômica mundial, estas empresas seguem amargando prejuízos e não conseguem dar os resultados esperados. Nem mesmo o fato de o empresário Eike Batista ter feito uma opção de compra de R$ 1 bilhão de ações da OGX, sua empresa do ramo de petróleo e gás, para ser exercida até 30 de abril de 2014 conseguiu acalmar o mercado. Para fontes próximas da empresa vai ser preciso mais do que a tentativa de retomar a confiança do investidor. Procurado, o grupo enviou apenas um comunicado por escrito (ver box abaixo).

As empresas do Grupo X tiveram no ano passado, juntas, mais de R$ 1 bilhão em prejuízos. O caminho deverá ser o mesmo em 2012. E deverá se repetir em 2013.

“Nenhum movimento até o momento foi bem absorvido pelo mercado. As pessoas querem resultados, querem recuperar o dinheiro que investiram. Muitos investidores colocaram uma parte de suas economias nas empresas. Pelo menos 20% do total de investidores da Bovespa tiveram ou ainda têm ações de empresas do Grupo. E não há previsão de reversão dessa tendência de queda no mercado”, comentou uma fonte.

Ele cita o fato de as empresas terem sido criadas em um momento onde mercados como o de mineração e petróleo apresentavam boas perspectivas. Para outra fonte que também preferiu não se identificar, o marketing não poderia ter sido melhor. Mas não se sustentou apenas com propaganda.

“A OGX não captou óleo suficiente, as empresas de mineração e energia também apresentam problemas. Na época da criação destas empresas, o Grupo contratou profissionais com muito conhecimento. Agora, geólogos e outros especialistas começam a sair. Isso é um indicador sério de que é um império que está balançando. Se a sequência de prejuízos continuar, é pouco provável que o investidor siga acreditando.”

Ele também lembrou a situação das demais companhias que seguem com problemas, mesmo aquelas que teoricamente já saíram da fase pré-operacional. Caso da MMX, que opera no mercado de mineração e não consegue dar resultados favoráveis, ainda que a família Batista, pelas mãos do patriarca Elieser Batista, tenha o mapa do mercado de minério do país. Se as áreas de petróleo, mineração e energia não andam bem, a empresa da logística também não consegue se firmar. O mesmo acontece com o mega projeto do super Porto do Açú, explica a fonte. Diante de um cenário onde o mercado de mineração anda de lado, projetos como o da fábrica da Nissan que funcionaria no porto viraram fumaça, assim como a parceria com a Thyssen, que ainda não conseguiu vender sua significativa parcela na Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA). “Este é o cenário atual Por isso, é preciso esperar a melhora do cenário externo e estamos vinculados a isso. O ano de 2013 deverá começar com dificuldades para as empresas e melhorar ao longo dos meses seguintes. Pelo menos é isso que se espera”, acrescentou o especialista.

Ele explica que todas as empresas são projetos de médio ou longo prazo e estes projetos estão baseados em premissas que foram sendo fornecidas aos investidores nos últimos anos. Mas estas projeções foram se alterando e ele cita o caso da OGX, que quando iniciou a produção efetiva de óleo, informou ao mercado que as premissas que serviram de parâmetro para o fluxo de caixa futuro haviam sido revisadas para baixo.

“As ações da OGX afundaram e as demais empresas que são projetos em maturação, foram contaminadas. A tudo isso se somou o chamado movimento de realização das bolsas de valores internacionais, que ampliou o tombo. As empresas X precisam de fato mostrar resultados ou ficarão pesadas na Bovespa”, profecia a fonte.

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